Isaura Daniel
São Paulo – A Universidade Petrobras, instituição de ensino criada pela petrolífera brasileira para a formação dos seus funcionários, vai colocar em operação, no próximo ano, um curso piloto de formação de executivos nas áreas social e a ambiental. A Petrobras foi convidada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para testar um programa de capacitação de lideranças responsáveis nestas duas áreas e está trabalhando junto com a European Foundation for Management Development (EFMD) na criação de uma metodologia de ensino para o projeto.
De acordo com o gerente de comunicação internacional da Petrobras, Izeusse Dias Braga Júnior, depois de testada na companhia, a metodologia será colocada à disposição de escolas de negócios de todo o mundo. O curso piloto será voltado a executivos da petrolífera e será dado na sede da Universidade Petrobras, que fica no Rio de Janeiro. A EFMD, que trabalha no projeto com Petrobras, é a instituição que coordena o programa de formação de líderes socialmente e ambientalmente responsáveis da ONU.
A escolha da Petrobras é conseqüência da atuação da empresa na área junto às Nações Unidas desde 2003. A empresa aderiu, há três anos, ao Pacto Global, criado pela organização em 1999 para chamar as companhias do mundo todo a darem sua contribuição para a melhoria das condições ambientais e sociais do planeta. Atualmente três mil empresas de 100 países já aderiram ao Pacto. A Petrobras foi selecionada, no ano passado, para integrar um grupo com 20 instituições de ensino e empresas para trabalhar pela formação de líderes globalmente responsáveis.
Esse grupo, escolhido entre 1.200 empresas e 350 escolas candidatas, entregou, em outubro de 2005, ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, um relatório com propostas na área, entre elas a modificação do currículo das escolas de negócios, com a inclusão de formação voltada à responsabilidade social e ambiental. Além da Petrobras, participam da equipe empresas dos Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, África do Sul e França. Entre as escolas estão instituições da China, Paquistão, África do Sul, Inglaterra, França, Espanha, Estados Unidos, Canadá e a Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais.
Braga é o representante da Petrobras no grupo. De acordo com ele, o relatório define como líder globalmente responsável aquele que é transformador da sociedade onde vive e atua, que promove ações e negócios compatíveis com a sustentabilidade do meio ambiente. O documento solicita aos líderes de empresas que façam mais do que pedem as leis dos seus países na área. "O objetivo é fazer com que nossos líderes empresariais integrem as questões ambientais e sociais ao seu negócio", afirma o gerente.
A Petrobras, por exemplo, leva em conta o trabalho desenvolvido por seus fornecedores na área para fechar um negócio. A Universidade da Petrobras, onde será implementado o programa de ensino piloto para líderes empresariais, é a responsável por treinar e formar todos os funcionários e colaboradores da companhia, desde os operadores de refinarias até os altos executivos. Por ela passam, ao ano, 40 mil pessoas, segundo Braga.
Reflorestamento na Amazônia
A Petrobras investiu, em 2005, US$ 235 milhões em programas sociais e ambientais. Um dos projetos desenvolvidos fica no município de Coari, no estado do Amazonas. Ali, na região chamada de Urucu, no meio da selva amazônica, a companhia produz 56,5 mil barris de petróleo e 9,7 milhões de metros cúbicos de gás, e leva adiante um projeto ambiental de replantio. A empresa planta mil mudas por dia de espécies nativas da região amazônica.
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, aceitou, no começo deste ano, um convite da ONU para integrar o Conselho do Pacto Global, do qual fazem parte 20 pessoas do mundo todo. O grupo foi formado para definir o futuro do Pacto Global. Os princípios do Pacto Global, segundo Braga, estão no balanço social da Petrobras. De acordo com o gerente de comunicação internacional, eles são dez e estão baseados em quatro fundamentos: respeito aos direitos humanos, ao direito ao trabalho, ao meio ambiente e combate à corrupção.

