São Paulo – O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2010 será de 5,8%. A projeção é do BC (Banco Central) e foi divulgada hoje (22) no Relatório de Inflacão de dezembro. O consumo das famílias brasileiras também deve subir cerca de 6% no próximo ano. O documento do BC informa que a expectativa é de uma retomada crescente da atividade econômica no país, mas sustentada somente pela demanda interna.
A indústria será o carro-chefe do crescimento brasileiro. A projeção é de alta de 7,6% para o setor em 2010, que deve amargar queda de 5% neste calendário. Destaque para a indústria de transformação, com elevação de 8,8%. A construção civil deve ter avanço de 6,4%. Os inúmeros projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão um dos motores da atividade produtiva do setor em 2010.
Outro setor industrial para o qual há boas projeções é o extrativista, que deve evoluir 6,4% no próximo ano, puxado pelo petróleo e perspectivas de êxito na camada do pré-sal. Enquanto a distribuição de água, gás e eletricidade está com projeção de aumento em 4,8% pela autoridade monetária.
O setor de serviços está com estimativa de 5% de crescimento, puxado pelo setor financeiro (7,2%) pela continuidade de expansão do crédito. Para o comércio, o BC estima ampliação de 6,5%, além de 6,4% para as áreas de transporte, armazenagem e correios. E serviços de informação deve ter crescimento de 6,5%.
A agropecuária é que não aparece tão bem no documento do BC. Como efeito da crise, não só do país, mas também do resto do mundo, o setor agropecuária deve crescer 3,7%.
Mercado de trabalho
O consumo das famílias deve subir 6,1% em 2010, segundo o relatório do Banco Central, trajetória consistente com a recuperação do mercado de trabalho e acomodação das taxas de inflação. A expansão do consumo do governo é projetada em 2,9%, de forma que a demanda interna deve contribuir com 6,9 ponto percentual para a soma do PIB.
O setor externo, entretanto, continuará com contribuição negativa, neste caso de 1,1 ponto percentual em 2010, embora exportações e importações devam apresentar evolução positiva.
O governo deve recuperar receita em 2010, de forma que a receita de impostos vai sair da posição de equilíbrio (zero) neste ano para expansão de 6,3%.
Para os investimentos medidos pela formação bruta de capital fixo, o BC espera um comportamento mais do que favorável: alta de 15,8% no comparativo com 2009, quando esse indicador deve ter recuo de 9,9% em relação a 2008.
Inflação
A previsão de inflação para este ano, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), subiu de 4,2% para 4,3% em 2009, em um cenário com a taxa Selic a 8,75% e dólar a R$ 1,75. Em 2010, segundo a autoridade monetária, a inflação deve ficar em 4,6%.
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem de calibrar a taxa de juros para atingir uma meta pré-determinada com base no IPCA.
Para este ano, 2010 e 2011, a meta central de inflação é de 4,50%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Com isso, o IPCA pode ficar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida. Para 2009, a previsão de crescimento foi reduzida de 0,8% para 0,2%.
*Com informações do Globo.com

