Da redação*
São Paulo – A forte expansão econômica do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico formado por Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Catar, Omã, e Emirados Árabes Unidos, está para entrar em seu quarto ano. O motivo para isso é a alta nos preços de petróleo e a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do grupo chegue a US$ 600 bilhões em 2006, aproximadamente o dobro da média do PIB do bloco no período de 2000 a 2002, que foi de US$ 300 bilhões.
De acordo com reportagem publicada pelo site do jornal libanês The Daily Star na internet, estudos feitos pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), com sede em Washington, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), avaliam positivamente o desenvolvimento recente da região, assim como fazem projeções positivas para o futuro próximo.
As receitas com exportação de petróleo e gás natural dos países do GCC devem atingir níveis recordes em 2006, reflexo tanto do embarque de volumes maiores, como de preços mais altos. O faturamento deve chegar a US$ 330 bilhões, o que é mais que o dobro da média para o período de 2000 a 2002. Em termos reais, estima-se que a receita com exportação de gás e petróleo em 2005 foi quase o dobro da registrada no choque do petróleo de 1979 a 1981, causado pela interrupção das vendas do Irã após a revolução.
Segundo o relatório do IIF, as importações também devem aumentar, tanto de bens de consumo, como de bens de capital. Ainda assim, e mesmo com as remessas de recursos para fora do bloco feitas por trabalhadores estrangeiros, o saldo em conta corrente do GCC deve apresentar superávit recorde de US$ 180 bilhões em 2006, ou 30% do PIB.
O estudo elaborado pelo IIF indica que o saldo positivo vai se refletir num aumento do volume de recursos estrangeiros, incluindo as reservas oficiais dos bancos centrais.
As receitas petrolíferas recordes devem resultar em receitas governamentais recordes. Apesar de todos os países no GCC terem aumentado seus gastos nos últimos anos, o que deve continuar ocorrendo em 2006, o balanço fiscal ainda deve apresentar superávits substanciais. O superávit fiscal do GCC deve cair levemente em 2006 para US$ 110 bilhões (cerca de 18% do PIB), em relação a US$ 123 bilhões (21% do PIB) em 2005.
Segundo o IIF, uma combinação de maiores gastos estatais, com grande liquidez no sistema financeiro, gerou um "boom" de investimento e consumo, que está estimulando também o crescimento no setor não-petrolífero na região. O rápido crescimento econômico aumentou o PIB per capita na região. Apesar da forte demanda doméstica, em 2005 a inflação nestes seis países permaneceu relativamente sob controle.
De acordo com o mais recente relatório Perspectiva Econômica Mundial do FMI, a gestão do "boom" do petróleo será um desafio. O crescimento dá a oportunidade aos governos dos países na região de lidar com algumas reformas estruturais pendentes, tais como a geração de empregos. O "boom" é muito grande em relação ao tamanho da economia regional para ser absorvido rapidamente. Portanto, de acordo com o FMI, os gastos governamentais devem ser ampliados apenas gradualmente para serem eficientes.
O FMI enfatiza a importância de se evitar dois erros nas políticas de gestão vistos situações semelhantes que ocorreram anteriormente. Em primeiro lugar, a prioridade deve ser dada a gastos governamentais que possam ter um impacto duradouro no crescimento, na produtividade e nos padrões de vida. Em segundo lugar, estes gatos têm que ser ampliados de maneira sustentável.
Crescimento do mundo árabe
Não é só o GCC que cresce, mas todo o mundo árabe. De acordo com o relatório anual do Conselho da Unidade Econômica Árabe, as o PIB dos 22 países da região chegou a US$ 860 bilhões em 2004, ante US$ 746,1 bilhões em 2003. As informações foram publicadas pela Kuwait News Agency (Kuna). Já o PIB per capita aumentou para US$ 2.879, contra US$ 2.572 em 2003.
O relatório excluiu o Egito do aumento registrado na renda per capita, que no país caiu de US$ 1.211 para US$ 1.118, uma queda de 7,6%, resultado da desvalorização da libra egípcia e da inflação.
O Bahrein ficou em primeiro lugar no ranking entre os países árabes no que diz respeito à redução da inflação, que ficou em 0,4% em 2004, ante 2,2% no ano anterior. Já o Sudão apresentou o índice mais alto, de 17,1%. No Egito, o índice caiu de 4,6% para 4,1%. Em 2004 a inflação aumentou no Kuwait, Jordânia, Argélia, Arábia Saudita, Líbano, Marrocos, Mauritânia e Iêmen.
O valor das exportações árabes em 2004 foi de US$ 397,4 bilhões, um aumento de 30,5% em relação ao ano anterior, quando as exportações foram de US$ 304,6 bilhões. Já as importações tiveram aumento de 24,2%, passando de US$ 194,8 bilhões em 2003, para US$ 241,9 bilhões em 2004.
A União Européia ficou em primeiro lugar entre os principais parceiros comerciais dos estados árabes, recebendo 28,2% das exportações árabes em 2003 e 29,2% em 2004. A participação dos Estados Unidos nas exportações aumentou de 8,4% para 10,2%, e do Japão, de 17,1% para 18%.
A participação das exportações aos países do sudeste asiático caiu de 13,3% para 12,4%, enquanto as exportações entre as nações árabes, em comparação com as exportações árabes em geral, caíram de 8,4% para 8,1%.
*Tradução de Silvia Lindsey

