São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) da Palestina registrou contração de 1% em 2014 e obteve, assim, a primeira queda desde 2006, segundo projeções da economia da Faixa de Gaza e da Cisjordânia divulgadas na noite de quinta-feira (29) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o documento, a economia dos territórios ocupados foi fortemente atingida pelo conflito entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza, em julho, além das tensões políticas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. O relatório é resultado de reuniões entre autoridades locais e uma delegação do FMI que visitou Jerusalém Oriental e Ramallah de 21 a 29 de janeiro.
As estimativas do relatório indicam que o PIB da Cisjordânia cresceu 4,5% no ano passado, mas o da Faixa de Gaza teve retração de aproximadamente 15%. A taxa de desemprego é de 41% em Gaza e de 19% na Cisjordânia.
O documento atribui grande importância à suspensão dos repasses financeiros adotada por Israel como um dos motivos que prejudicam a economia palestina. Como os territórios são ocupados, os produtos que entram na Faixa de Gaza e da Cisjordânia são “controlados” por Israel, que também faz a coleta de impostos de importação e depois repassa o valor recolhido aos palestinos. A coleta destas taxas corresponde a dois terços da receita líquida da Palestina.
“Um alto grau de incertezas e diversas turbulências irá provavelmente evitar uma forte retomada econômica em 2015. Mais notável é a não transferência à Autoridade Palestina de receitas alfandegárias recolhidas por Israel em mercadorias importadas pela Cisjordânia e por Gaza”, afirma no documento o chefe da missão, Christoph Duenwal. O Fundo afirma também que a reconstrução de Gaza após o conflito caminha de forma mais lenta do que o esperado.
O FMI reconhece que a Autoridade Palestina conseguiu administrar a falta de recursos, mas afirma que devido à falta de receitas será preciso reduzir salários e subsídios, e eventualmente recorrer a empréstimos bancários e acumular débitos. Os desafios se mantêm mesmo que o repasse das receitas alfandegárias seja retomado em poucos meses. Ainda assim, os palestinos precisarão conter os gastos e destinar as receitas disponíveis para os mais pobres e para a prestação de assistência social, pois o FMI observa que a situação humanitária é “horrível”.
Mesmo com estes desafios, o FMI recomenda que as autoridades monetárias da Palestina busquem uma situação fiscal mais “sustentável” por meio de uma reforma estrutural especialmente em setores da economia como o gerenciamento dos recursos públicos e a administração das receitas. Neste caso, a recomendação é para a adoção de um sistema de coleta de taxas simplificado para os pequenos negócios.


