Randa Achmawi
Cairo – Passa a vigorar a partir de hoje (06) o plano de ação conjunta que foi negociado durante vários anos pelo Egito e pela União Européia. O documento servirá como um guia para o processo de cooperação bilateral nos próximos anos. Em entrevista à ANBA, a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero Waldner, disse que ele vai abrir um novo capítulo nas relações bilaterais.
O plano incluiu, entre outros itens, assistência financeira para as reformas estruturais que o Egito promove, além de vantagens da Política de Boa Vizinhança da UE como acesso a mercados, transferência de experiências e tecnologias. A vantagem desta política é que o próprio Egito vai decidir em que áreas quer receber assistência.
Benita assumiu seu cargo atual em novembro de 2004. Nascida na Áustria, ela já foi secretária de estado para as Relações Exteriores e ministra das Relações Exteriores de seu país. Ela foi também a primeira mulher a exercer o cargo de chefe do protocolo nas Nações Unidas. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
ANBA – O que este plano representa para a União Européia?
Benita Ferrero Waldner – Posso me felicitar pelo fato de que as negociações foram finalmente concluídas. Isto nos permitirá abrir um novo capítulo em nossas relações. Vamos aprofundar nossas parcerias em uma série de setores chaves para ambas as partes. Junto com o pacote financeiro estamos propondo várias vantagens dentro da Política Européia de Boa Vizinhança.
Quais os principais pontos deste documento?
Ele trata do trabalho de cooperação bilateral nos próximos dois ou três anos. Sua estrutura é a mesma do acordo de associação previamente lançado pelo Processo de Barcelona (processo de cooperação entre os países do norte e do sul do Mediterrâneo) . Ele contém três capítulos essenciais ligados à cooperação econômica, política e sócio-cultural. Para cada uma destas áreas existirá um mecanismo que será negociado por ambas as partes. O Egito, por exemplo, nos mostrará quais são as atividades onde o país mais necessita de nossa assistência. Isso ocorrerá em áreas onde ainda não trabalhamos juntos, como nos campos da energia, da infra-estrutura e da organização dos fluxos migratórios. A lista é muito longa e ambiciosa. Nós ressaltamos em nossas discussões com o primeiro-ministro egípcio, Ahmed Nazif, a importância de que esta iniciativa receba a atenção e o esforço que ela merece, pois nesta parceria é o Egito que nos indicará onde é mais importante agir e as áreas onde devemos trabalhar. E ele nos prometeu todo o seu apoio.
Essa cooperação tem suas bases na área econômica…
Não é fundamentalmente econômica e esse é o charme de nossa concepção de cooperação com o Egito, assim como com vários outros países da região. O que temos no documento é um novo instrumento de trabalho que prevê a formação de uma serie de subcomitês divididos por temas como questões sociais, economia, questões políticas, direitos humanos, democracia, etc. Todos os temas serão tratados. Estes comitês serão formados por altos funcionários dos dois lados que se reunirão com regularidade. Esta é base do plano de ação. Do outro lado está o plano da Política de Boa Vizinhança da UE que propõe mais fundos e instrumentos como, por exemplo, o mecanismo de geminar instituições (duas instituições que se associam para aprender uma com a outra) com o objetivo de se transferir experiências de trabalho e conhecimentos. Paralelamente a isso vem o aprofundamento das políticas que nos fornecerá uma oportunidade única de evoluir em nossa relação.

