São Paulo – O Instituto Palestino de Diplomacia Pública (PIPD, na sigla em inglês) lançou no Brasil a plataforma “Comunicando a Palestina”, um guia para que a história da Palestina seja comunicada de forma ética e responsável. Voltado para como jornalistas e outros profissionais envolvidos nas narrativas sobre a Palestina, o site foi disponibilizado em português, o segundo idioma que ganhou versão no projeto após o inglês. O lançamento ocorreu na sexta-feira (28) na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.
Em conversa com jornalistas brasileiros, a codiretora do PIPD, a jurista palestina Rula Shadeed, contou que o desenvolvimento do guia levou cerca de quatro anos e que agora, no quinto ano, ele está sendo entregue. A versão inaugural, em inglês, foi lançada há cerca de um mês. Está em processo de implementação também o site em espanhol, árabe e francês, somando cinco idiomas no total. Há planos também de que a plataforma tenha versão em chinês daqui dois ou três anos, segundo Rula.
O PIPD é uma organização não governamental independente, com sede na Palestina e presença no Brasil, que defende a libertação da Palestina do colonialismo. Entre as frentes da plataforma “Comunicando a Palestina” estão combater a desinformação e a tentativa de matar a história como ela de fato acontece. “Os colonizadores trabalharam muito para apagar e silenciar as vozes, histórias, identidade e cultura”, disse aos jornalistas Rula, que tem formação em Direito Penal Internacional.
Uma das propostas do guia é que os palestinos sejam sempre ouvidos por quem aborda a Palestina. “Você encontra até mesmo pessoas solidárias à Palestina que, em vez de buscar palestinos — que são muitos e vários especialistas capazes de contar suas próprias histórias, explicar sua realidade, falar do cotidiano, detalhar as leis que lhes são impostas, ou ainda profissionais como advogados, jornalistas, arquitetos, artistas, entre tantos outros que poderiam relatar em primeira pessoa sua vivência de paz e de luta —, acabam procurando alguém de fora para falar sobre isso”, descreve Rula.
A plataforma tem muitas frentes, entre elas o combate ao “dois-ladismos”, em que comunicador faz uma equivalência entre as partes, ignorando o desequilíbrio entre quem tem o poder e o oprimido; o enfrentamento do clichê do terrorismo em que o termo é utilizado para deslegitimar movimentos socialistas, de libertação nacional e outros; e o combate ao uso dos estereótipos, em que os palestinos são retratados como vítimas, combatentes, violentos, inflexíveis ou heróis.
O lançamento do guia para a imprensa foi feito por Rula ao lado de Badra El Cheikh, oficial de Advocacy e Campanhas do PIPD no Brasil. Após o encontro, houve um debate sobre as narrativas a respeito do povo palestino, também promovido pelo instituto palestino na sede da Câmara Árabe. Participaram Rula e o escritor brasileiro Milton Hatoum, com mediação da publisher Laura de Pietro. A vice-presidente de Marketing da Câmara Árabe, Silvia Antibas, esteve presente na coletiva de imprensa e no debate. A realização foi do PIPD, com apoio da Câmara Árabe e da Editora Tabla.
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