São Paulo – A Rak Porcelain, fábrica de porcelanas de mesa dos Emirados Árabes Unidos, quer trazer seus produtos ao mercado brasileiro. Durante esta semana, a empresa está expondo na Equipotel, maior feira de hotelaria e gastronomia da América Latina, em São Paulo. O objetivo da companhia árabe é ter um distribuidor no Brasil.
“O Brasil é um mercado interessante, um dos maiores da América Latina. Temos distribuidores no México, Peru, Chile, República Dominicana e Estados Unidos. O Brasil será o maior pólo de acontecimentos nos próximos cinco anos e é importante para nós estarmos presentes”, diz George Kuruvilla, gerente de vendas assistente da Rak (veja vídeo abaixo).
O interesse é tão grande que a empresa já está em fase final de negociações com a importadora capixaba Qualis. Atualmente, a Qualis trabalha apenas com cristais vindos da Alemanha, mas deve começar a comprar as porcelanas árabes já no final deste ano. O contato entre as empresas foi realizado dentro da própria feira.
A Rak ainda não exporta para o Brasil e é a primeira participação da companhia árabe na Equipotel. Segundo Kuruvilla, a empresa deve participar de outros eventos no país, após ter um retorno dos resultados da feira. “Vamos ver qual a resposta do mercado aos nossos produtos”, destaca o executivo.
A Rak Porcelain pertence ao grupo Rak Ceramics, que produz cerâmicas de revestimento, com sede no emirado de Ras Al Khaima. A capacidade de produção da empresa é de 15 milhões de peças de porcelana por ano, das quais 80% são exportadas para 110 países, estando presente em 1.020 hotéis de luxo em todos os continentes. “Temos 20 diferentes linhas que vão do mercado de baixo custo aos mais exclusivos restaurantes de hotéis do mundo”, conta Kuruvilla.
O executivo explica que os produtos voltados à linha hoteleira possuem um padrão diferenciado do que é encontrado do mercado em geral. “Fazemos porcelana de alta qualidade, mais forte. A cor da nossa porcelana é diferente comparada ao padrão básico de branco encontrado na indústria”. Na feira, podem ser vistos produtos como pratos, travessas, xícaras, pires, entre outros.
Hotelaria no Brasil
De acordo com Marcelo Vital Brazil, diretor comercial da Equipotel, atualmente o setor de hotelaria no Brasil tem um patrimônio instalado de R$ 65 bilhões de reais, com um potencial de movimentação em torno dos R$ 20 bilhões por ano, incluindo novas instalações, compra e manutenção de equipamentos e produtos de toda a cadeia de hotéis no país. “Acreditamos que a Equipotel possa gerar, em um ciclo de doze meses, negócios na ordem entre R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões”, diz o executivo.
Somente nesta edição da feira são mais de 1,2 mil expositores, com produtos nas áreas de alimentos e bebidas; artesanato; cama, mesa e banho; iluminação; construção; produtos de higiene; uniformes; eletroeletrônicos; equipamentos pesados e leves para quartos, copa, cozinha, cozinha industrial e lavanderia, entre outros.
Além dos expositores nacionais, a Equipotel traz negociadores de 16 países, como Espanha, Estados Unidos, Polônia, França e Inglaterra.
Segundo o diretor da Equipotel, a qualidade do setor hoteleiro no Brasil pode ser comparada com a encontrada na Europa ou nos Estados Unidos. Ele diz que o fato de o país ter conquistado a sede de torneios internacionais de esportes, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além de outros eventos importantes para o setor, fez com que os estabelecimentos se adaptassem aos padrões exigidos no exterior.
“Aqueles empreendimentos hoteleiros que não estavam de acordo [com padrões internacionais] estão tendo que se adaptar, mas aqueles empreendimentos que são de redes internacionais já constroem o seu hotel de acordo com todas as qualidades e normas internacionais”, explica. “Temos uma estatística de que mais de 60% do mercado hoteleiro já está de acordo com as normas internacionais.”
Para Vital, na parte de serviços, boa parte do setor de hotelaria brasileiro também está preparada para receber turistas de culturas e hábitos diferentes, como os árabes. “Muitos hotéis estão preparados para isso. As redes oferecem [serviços diferenciados], não só na área do mundo árabe, mas de religiões que necessitam de uma comida especial. Então, os cardápios são bem variados para isso. No ato da reserva isso é informado e eles (os hotéis) se preparam para toda essa questão.”

