Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – O Porto de Antonina, no estado do Paraná, está se consolidando como nova opção para escoamento da produção algodoeira do Centro-Oeste brasileiro aos países árabes. O navio Banglar Kallal, de bandeira bengali, de Bangladesh, está recebendo uma carga de 10,5 mil toneladas de algodão em caroço em um dos terminais do Porto. O carregamento, feito em caráter experimental, é inédito e tem como destino a Arábia Saudita. O Porto fica a 77 quilômetros de Curitiba, na cidade de Antonina.
O navio, procedente da Gâmbia, na África, chegou ao Brasil no dia 18 de outubro e atracou no terminal no último dia 06. Ele deve deixar Antonina hoje (19). O objetivo da empresa Agrostore, dona da carga, com sede em São Paulo, é testar a logística, os acessos e as condições de transbordo no Porto, para avaliar se novos embarques serão possíveis. Além do cais do terminal da Ponta do Félix, estão sendo utilizados na operação os armazéns Matarazzo, outro terminal do Porto de Antonina.
Com base no andamento dos trabalhos e no potencial dos compradores, o diretor do Porto, Leopoldino de Abreu Neto, está otimista. Ele aposta que este não será o último embarque de algodão para o Oriente Médio a partir de Antonina. "Este é um produto que será muito utilizado nos países árabes", avalia. Quanto à procura por Antonina, as expectativas são boas. "Vai ser muito mais, com certeza".
O tempo chuvoso no litoral paranaense estendeu o prazo de carregamento do Banglar Kallal, o que não chegou a ser um grave problema. "Choveu direto. Mas, no final, tudo deu certo", festeja Edson Alves, da Agenpar, empresa que agencia o navio. Outras 80 mil toneladas do produto deverão ser embarcadas em breve por Antonina em direção ao Oriente Médio.
Em modernização
Desativado por décadas, o Porto de Antonina tem passado por um processo constante de modernização desde 1994. Nos últimos dez meses de operação, movimentou 1,036 milhão de toneladas. Atualmente, oferece ao mercado três terminais portuários: além do Matarazzo, o Barão de Teffé e a Ponta do Félix. Este último, privatizado, já é considerado o maior terminal frigorificado da América Latina, com dois armazéns e capacidade para 13 mil toneladas. No momento, está dobrando seu potencial, com a construção de mais duas unidades de armazenagem.
O terminal da Ponta do Félix tem cais com 360 metros de extensão – permitindo atracação de dois navios simultaneamente – e pátio para 2.300 contêineres, com 200 tomadas para contêineres frigoríficos. Dispõe de três armazéns para carga geral, um com 2.500 metros quadrados e dois com 3.125 metros quadrados cada.
O terminal Barão de Teffé, público, é composto pelo cais comercial, para navios de até 155 metros, com calado de 19 pés, por dois armazéns (2,4 mil e 1,05 mil metros quadrados) e balança (100 toneladas).
O acesso marítimo ao Porto de Antonina é feito pelo canal da baía de Paranaguá, com 26,3 pés (8,02 metros) de profundidade e extensão de 10 quilômetros. O Porto é conhecido pelo transporte de cargas refrigeradas em função da estrutura de armazenagem que possui para produtos deste tipo. O maior porto do Paraná é o Paranaguá. O estado possui apenas dois portos.
* Federação das Indústrias do Estado do Paraná

