Omar Nasser*
Curitiba – A receita cambial gerada pelas exportações dobrou no Porto de Paranaguá. Entre 2002 e 2004, o volume financeiro passou de US$ 4 bilhões para US$ 8,4 bilhões. Publicados em março, os quatro primeiros editais deste ano para obras de expansão e modernização prevêem investimentos de US$ 36 milhões, o que deve manter a tendência de crescimento, prevê a administração.
Considerado o maior porto graneleiro do País, Paranaguá exportou 5 milhões de toneladas de soja em grão em 2004. Entre janeiro e meados de março de 2005, o Porto já embarcou 921 mil toneladas do produto, contra 405 mil no mesmo período do ano passado, o que significou um aumento de 124%. A movimentação de madeira, no período, subiu 16% e a de congelados, 30%.
Armazenagem
São várias as ações desenvolvidas no aprimoramento da infra-estrutura e na logística. “São projetos que buscam a excelência nas atividades portuárias do ponto de vista da qualidade, eficiência e agilidade”, declara o superintendente Eduardo Requião. Alguns destes projetos já estão em andamento, como a modernização do sistema de informática e o ajuste das balanças de pesagem dos caminhões. A capacidade de armazenagem de grãos vai dobrar com a instalação, prevista para este ano, de um novo silo público, com capacidade para 107,8 mil toneladas.
Num investimento de R$ 1,3 milhão, novos terminais para movimentação de carga geral e granéis líquidos estão sendo implantados na região conhecida como Vila da Madeira, área com 66 mil metros quadrados. No local estão sendo montados armazéns vinílicos móveis, com capacidade para 3 mil metros quadrados cada um, o que aumentará a momentação de carga geral em mais um milhão de toneladas por ano.
Finalizada a primeira etapa das obras, será iniciada a construção de um parque de tancagem para operações com álcool. Os tanques terão capacidade para 35 mil metros cúbicos. Novas balanças rodoviárias de plataforma com 100 toneladas de capacidade serão instaladas na Vila da Madeira.
Agilidade
A logística também está sendo contemplada pelo plano de investimentos. Melhorá-la significa agilizar o escoamento da produção e, por conseqüência, aumentar a receita. “Nossa logística privilegia a nominação de navios, com indicações de volumes a serem embarcados e a quantidade de caminhões que trazem a carga. É um trabalho que evita filas porque atuamos sincronizados com toda a cadeia produtiva”, explica Requião.
Para agilizar o embarque, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) está viabilizando a utilização dos armazéns da Conab, em Ponta Grossa, que têm capacidade para armazenar 420 mil toneladas. Outra alternativa em vias de se concretizar é o uso do armazém de 16 mil metros quadrados do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC), também naquela cidade. Com as duas estruturas à disposição, os caminhoneiros não precisariam mais descer a Serra do Mar para descarregar.
Sem reformas há cerca de 30 anos, a sede da Appa está passando por um amplo processo de remodelagem.Troca de telhado, lavagem da laje, redefinição do layout interno do prédio são algumas das ações que já começaram a ser realizadas. Fachadas, banheiros, a substituição das instalações elétricas, telefônicas e de informática, além de obras de paisagismo e colocação de rampas para acesso de deficientes físicos, integram o projeto.
Outra obra de destaque é a melhora das vias de acesso ao Porto e da zona do cais. Antiga reivindicação dos moradores de Paranaguá, o local receberá concreto, o que vai dar maior segurança no uso das vias adjacentes e uma melhor higiene, evitando o acúmulo de detritos nas poças d’água que se formavam no asfalto.

