Da redação
São Paulo – Pela primeira vez o porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, vai ter embarques regulares de veículos exportados pela indústria nacional. Um carregamento de 1,4 mil carros Volkswagen, modelos Gol e Parati, e 100 chassis de caminhões Mercedes-Benz será embarcado no domingo (18) no terminal administrado pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), companhia vinculada à Secretaria Estadual dos Transportes, com destino à Argentina.
O embarque, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria, é resultado de um contrato firmado entre a administração do porto e a Mitsui, empresa de transporte marítimo. Até dezembro, quando termina o acordo, está previsto o envio mensal de 2 mil veículos para o país vizinho.
Com isso, o governo do estado quer dar o primeiro passo para transformar o porto de São Sebastião em uma nova rota de exportações, alternativa ao porto de Santos. O terminal administrado pela Dersa fica ao lado do terminal da Petrobras, no canal entre São Sebastião e Ilhabela. Hoje o principal produto que passa por lá, de acordo com a assessoria, é a barrilha, ou carbonato de sódio, utilizada na fabricação de sabão e vidros.
Segundo informações da secretaria, o governo investiu mais de R$ 50 milhões nos último quatro anos para viabilizar esta alternativa. A última obra, finalizada há cerca de um mês, foi a pavimentação de um pátio com 22 mil metros quadrados, o que permite a armazenagem dos carros.
Além disso, de acordo com informações do governo, foram feitas melhorias nos acessos a São Sebastião, como a construção de uma terceira faixa no trecho de serra da rodovia dos Tamoios, que liga São José dos Campos, no Vale do Paraíba, ao litoral; a duplicação de 14 quilômetros da rodovia Rio-Santos, no trecho entre Caraguatatuba e São Sebastião; além da ampliação da rodovia D. Pedro I entre a Via Dutra e a Rodovia Carvalho Pinto. A D. Pedro liga Campinas ao Vale do Paraíba.
Para agosto a Dersa promete a conclusão de dois novos "dolphins" no porto, ou seja, locais onde dois navios podem atracar para esperar sua vez de carregar, ou descarregar. Por enquanto apenas um navio pode carregar ou descarregar por vez.
Ampliação
Além das obras já finalizadas e as que estão em execução, a Dersa está terminando um projeto para a ampliação do porto, que prevê a construção de uma nova "ponte de acesso em L", que poderá receber mais dois "berços de atracação", e o aumento da calado de 8,5 metros para 14 metros. "Berço de atracação" é exatamente o local onde o navio aporta para descarregar ou carregar a carga.
Com estas obras, o secretário dos Transportes, Dario Rais Lopes, acredita que em cinco anos o porto poderá movimentar 3 milhões de toneladas por ano, contra as 400 mil toneladas atuais. A capacidade é bem menor do que a do porto de Santos, que no ano passado movimentou 60 milhões de toneladas de carga e tem como previsão para 2004 movimentar 65 milhões de toneladas.
A secretaria informa, no entanto, que os custos operacionais em São Sebastião chegam a ser 40% mais baratos do que em Santos.
Os investimentos futuros, porém, vão depender do interesse das empresas em utilizar o terminal. O governo joga com a facilidade de acesso das regiões industrias de Campinas e do Vale do Paraíba e a Dersa já negocia com montadoras que têm plantas instaladas nessas duas regiões.

