Alexandre Rocha
São Paulo – Amanhã (09), 4.540 carros produzidos pela General Motors em sua fábrica em São José dos Campos, no interior de São Paulo, serão embarcados em um único navio no porto de São Sebastião, no litoral norte do estado, com destino a Altamira, no México. Será a maior operação de exportação já feita pelo terminal e marca a inauguração de novas estruturas instaladas no local, que permitem a atracação de embarcações de maior porte.
Segundo informações da Dersa, companhia estatal que administra o porto, os veículos começaram a ser transportados há mais de duas semanas. Serão embarcados carros dos modelos Astra (médio), Corsa (compacto), Meriva (minivan) e Montana (picape de pequeno porte).
A GM optou por São Sebastião por causa da proximidade com São José dos Campos e da nova possibilidade de uso de navios grandes. O governo do estado quer transformar o terminal em uma alternativa ao porto de Santos, o maior do país, no litoral sul do estado. O porto de Santos fica mais longe do Vale do Paraíba, onde está São José, que é um importante pólo industrial. Este primeiro embarque será feito de forma experimental mas, se tudo der certo, a empresa pode começar a exportar pelo terminal de forma regular.
Assim como a maioria das montadoras instaladas no país, a GM é tradicional exportadora de carros. Mas ela, como as outras, não vende somente para países da América Latina. Exporta também para locais mais distantes, como o mundo árabe. O maior mercado da companhia na região é o Egito, para onde são embarcados desmontados (CKD) os modelos Corsa Sedan e Astra Sedan, que são depois finalizados em uma planta que a empresa tem no país.
No total, a GM espera exportar, até o final do ano, o equivalente a US$ 1,5 bilhão em veículos produzidos em suas subsidiárias no Brasil e na Argentina.
Operações
Os embarques regulares de veículos pelo porto de São Sebastião começaram a ocorrer em abril, quando a Volkswagen fechou um contrato para embarcar 2 mil carros por mês para a Argentina.
Ocorre que São Sebastião é um porto pequeno. Por enquanto, lá só há espaço para atracar um navio por vez e até agora só podiam parar no terminal embarcações com capacidade para carregar até 2,5 mil carros. Com a construção de dois "dolphins" – estruturas que permitem a atracação de navios de grande porte que ultrapassam o tamanho do cais -, cargueiros com capacidade para transportar até 4,9 mil veículos poderão atracar. As obras custaram R$ 2,3 milhões aos cofres do governo estadual.
Além de veículos, hoje passam pelo terminal administrado pela Dersa minerais, grãos e animais vivos. Mensalmente são embarcadas mil cabeças de gado com destino aos demais países do Mercosul. A Petrobras também tem um terminal em São Sebastião, onde atracam petroleiros.
Hoje o terminal da Dersa movimenta 400 mil toneladas de carga por ano. Mas o governo do estado tem a intenção de aumentar a capacidade. Existe um projeto de construção de um novo cais, que terá condições de receber quatro navios ao mesmo tempo, e de aumento do calado dos atuais 8,5 metros para 14 metros.
O custo das obras está orçado em R$ 57,8 milhões, mais R$ 20 milhões para a compra de equipamentos. Se realmente for adiante, o empreendimento deve ser concluído até 2010 e aumentar a capacidade do porto para 3 milhões de toneladas de carga por ano.

