Geovana Pagel
São Paulo – Os portos brasileiros têm registrado recordes de movimentação de cargas, inclusive de produtos com maior valor agregado, como automóveis. O Porto de Santos, em São Paulo, por exemplo, registrou o embarque de 200.633 veículos de janeiro a outubro deste ano, o que indica aumento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2003. Já a movimentação de contêineres cresceu 23,1%, somando 1,046 milhão de unidades.
Essas operações fizeram com que a movimentação de "carga geral" (mercadorias que excluem os granéis) crescesse 29,8% para 22 milhões de toneladas, nos primeiros dez meses, o equivalente a 38,2% de todas as cargas movimentadas pelo porto. Em 2003, esse percentual foi de 34,6%, contra 43,8% dos granéis sólidos e 21,6% dos granéis líquidos.
Ao todo, nos dez primeiros meses do ano, o porto movimentou 57,5 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 15,3%, em relação ao mesmo período de 2003. O crescimento aponta para um fechamento anual próximo dos 70 milhões de toneladas, um recorde histórico.
Com os embarques de produtos de maior valor agregado em alta, o porto de Santos também passa a responder por uma fatia maior do comércio exterior brasileiro. Segundo dados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que controla o porto, de janeiro a outubro, entre exportações e importações, a participação foi de 27,2%, a maior no período desde de 1997.
Apenas no fluxo de exportações, a parcela de Santos neste ano pulou para 28,2%, também a maior nos últimos sete anos. Nos dois fluxos, em 2004, Santos movimentou o equivalente a US$ 35,4 bilhões, ou 7,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulado no período. Não estão incluídas as operações de cabotagem. Em 2003, essas operações somaram quase 10 milhões de toneladas de cargas diversas.
No desempenho de outubro, com aumento de 11%, o porto atingiu 6 milhões de toneladas no total de carga e consolidou a liderança das exportações de açúcar, que em dez meses chegou a 9,06 milhões de toneladas, ou mais 32,3%. O volume de açúcar já supera o total dos 12 meses de 2003.
Outra commodity agrícola de alto desempenho foi o farelo de soja, que no acumulado do ano cresceu 48,7%, para 3,2 milhões de toneladas. A soja em grão, porém, declinou o equivalente a 1,05%, para 5,4 milhões de toneladas.
Nas importações, o trigo a granel, em 2004, caiu 45,2% para 906,4 mil toneladas; enquanto o enxofre subiu 21,7%, para 1,3 milhão de toneladas; e os adubos mais 4%, para 2,3 milhões de toneladas.
Paraná
O Porto de Paranaguá, no estado do Paraná, também vem registrando aumento de movimentação. Segundo o diretor empresarial do porto, Luiz Henrique Dividino, este ano já foram movimentadas 30 milhões de toneladas de produtos, que geraram US$ 7,3 bilhões. Só a "carga geral" representou uma expansão de 32% na movimentação em relação ao ano passado. A previsão é fechar 2004 com uma receita de US$ 8,4 bilhões.
Essa expansão foi atribuída pelo diretor à rapidez, baixo custo e segurança no porto. Para reforçar essas vantagens, o porto está executando vários projetos estratégicos que integram logística com multimodalidade. Para 2005, a expectativa é elevar o escoamento de soja em mais 5 milhões de toneladas e a "carga geral" em mais 2 milhões de toneladas.
Dentro desse plano, segundo Divino, estão sendo enviados para a Casa Civil da Presidência da República dois projetos: a construção de um novo silo horizontal público e a pavimentação da faixa interna do porto, com recuperação de 168 mil metros quadrados de área, que incluem drenagem, colocação de hidrantes, instalações elétricas e troca de piso.
No começa da semana passada, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) firmou contratos com os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia para exportar couro, madeira e algodão por Paranaguá. Os contratos vão agregar, em dois anos, cerca de 3 milhões de toneladas de carga geral ao volume normalmente movimentado pelo porto paranaense, o que vai gerar mais divisas ao Paraná e, principalmente, mais empregos em Paranaguá.
O aumento da operação, com a vinda de mais produtos de outros estados, também vai compensar uma possível redução do escoamento da soja – prevista para o próximo ano, em função de uma queda de preços – e fortalecer o Porto de Paranaguá no cenário internacional.
Pernambuco
Em Pernambuco, o sistema portuário apresentou um crescimento de 12% no acumulado de janeiro a outubro. Nos dez primeiros meses de 2004 foram movimentadas 4,832 milhões de toneladas nos portos de Suape e do Recife, contra 4,314 milhões no mesmo período de 2003. Os resultados de outubro também são positivos, com 544,9 mil toneladas, crescimento de 26% sobre as 431,2 mil registradas no mesmo mês do ano passado.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, a movimentação de cargas destinadas à exportação foi a maior responsável pelo crescimento. O volume exportado somou 1,3 milhão de toneladas, contra cerca de 871 mil toneladas movimentadas em 2003, um crescimento de 57,2%.
"As exportações foram sem dúvida um dos grandes impulsionadores da movimentação nos portos brasileiros em 2004, e em Pernambuco não foi diferente", disse o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Alexandre Valença. As importações, por sua vez, se mantiveram praticamente estáveis em cerca de 3,4 milhões de toneladas.
Na pauta de exportações o açúcar, que já é tradicionalmente o principal produto exportado por Pernambuco, se mantém como o grande destaque, com 512,4 mil toneladas embarcadas, contra 241,8 mil, salto de 111,8%. Foram 393,9 mil toneladas de açúcar a granel, que apresentou crescimento de 120,3% no acumulado, e 118,5 mil de açúcar em sacos, que registrou aumento de 88%.
Entre as cargas importadas, a que teve melhor desempenho foi a barrilha (carbonato de sódio, utilizado na fabricação de sabão, vidro, entre outros produtos), que passou de 71,1 mil toneladas para 105,2 mil toneladas, ou 48,1% a mais.
Na avaliação por tipo de carga, os contêineres se mantêm como o grande destaque, com um crescimento de 22,6%, de 95,4 mil TEUS (unidade padrão de contêiner de 20 pés) para 117 mil TEUS.
Outro indicador do bom momento nos portos de Pernambuco é o aumento no número de navios atracados, de 12,7%. Foram 895 de janeiro a outubro deste ano e 794 no mesmo período de 2003.
Investimentos
De acordo com Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), grupos de trabalho pesquisaram entraves que poderiam ser removidos no curto prazo, com baixo investimento, em 11 dos principais portos do país, responsáveis por 89% das exportações nacionais.
"O planejamento resultou em um plano de ação que consumirá, em recursos públicos, R$ 62,6 milhões até o final de 2004, R$ 142,4 milhões em 2005 e R$ 78,4 milhões em 2006", afirmou.
De acordo com Manteli, a retomada dos investimentos em infra-estrutura, em especial da área logística (portos, aeroportos, ferrovias e rodovias), será uma das quatro prioridades do governo federal em 2005.
Segundo ele, o governo federal prevê investir R$ 400 milhões na expansão e modernização de 11 portos brasileiros em 2005, além de ainda tentar obter outros R$ 400 milhões, dentro do Orçamento Geral da União do próximo ano, para o mesmo fim.

