São Paulo – Um estudo publicado na última semana pelo Centro Financeiro do Kuwait (Markaz) demonstra que os portos do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) – bloco econômico que inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait – devem investir US$ 15,3 bilhões em melhorias e expansão entre meados de 2011 e metade de 2016, segundo nota divulgada pela organização.
Segundo o Markaz, os países do GCC têm 35 portos e alguns vivem forte expansão para suprir a demanda, que aumenta em média 8% ao ano. Ela era de 25 milhões de unidades equivalentes a um contêiner de vinte pés (TEU) em 2010. Os portos dos Emirados são responsáveis pela maior parte deste movimento, com 59%, contra 21% da Arábia Saudita – embora a economia saudita tenha o dobro do porte da do país vizinho e sua população seja cinco vezes maior, conforme nota divulgada pelo Markaz.
O porto Jebel Ali, em Dubai, era o sétimo maior porto do mundo em 2009, com movimentação de 11,1 milhões de TEUs. Entretanto, ele caiu duas posições no ranking em 2010, ficando em nono (principalmente devido ao crescimento dos portos chineses), mas o movimento cresceu para 11,6 milhões de TEUs – expansão de 4,5%. O porto de Jeddah, na Arábia Saudita, ficou em 30º lugar, com 3,8 milhões de TEUs em 2010. Já o porto de Salalah (em Omã) ficou em 32º em 2010, com 3,5 milhões de TEUs.
Abu Dhabi investirá mais no período, com US$ 10 bilhões, principalmente no Porto Khalifa e sua Zona Franca. Estes projetos vão concorrer com os de Dubai e podem criar capacidade excessiva no país. O Catar ficou para trás durante algum tempo, mas assinou em março de 2011 acordo para a primeira fase da construção do novo porto de Doha. O Kuwait, por sua vez, progride com o porto de Bubiyan e Omã investe no porto Al Duqm.
Os países do GCC são bem conhecidos por seu comércio petrolífero e, nos últimos anos, o bloco tem trocado seus principais parceiros comerciais. Há cerca de 30 anos, os países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) eram responsáveis por 85% do comércio do GCC. Já em 2009, os mercados emergentes respondiam por 45%. A expansão do comércio com mercados emergentes cresceu em média 11% ao ano entre 1980 e 2009, segundo o estudo, enquanto com os países da OCDE, a expansão anual foi de apenas 5%.
O surgimento da Índia e China como grandes fornecedores mundiais garantiu aos países do GCC fortes oportunidades como polos de transporte, pois muitos estão em uma posição estratégica como plataforma para o comércio entre a Ásia e Oriente e a Europa e África.
De acordo com o Markaz, o GCC responde atualmente por 3% das importações globais e 5% das exportações. Os países do GCC dependem fortemente de exportações de cargas brutas, mas importam muitos bens, incluindo maquinário pesado – no qual estão inclusos produtos para transportes. Entretanto, este perfil também está mudando. No passado, para cada dois contêineres importados pelos países do GCC, um era exportado pelo bloco. Em 2009, a taxa mudou para 1 contêiner exportado para 1,7 importado, em 2010 a taxa era de 1,4 exportado por cada um comprado e a estimativa é que o bloco feche 2011 importando 1,2 contêiner para cada 1 de exportação.
*Tradução de Mark Ament

