São Paulo – A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou nesta quinta-feira (03) que o preço mundial dos alimentos caiu, em outubro, ao menor nível em 11 meses. Entre os motivos que colaboraram para a queda dos preços, que são medidos mensalmente pela FAO, estão as instabilidades econômicas globais, a previsão de que o fornecimento de alimentos crescerá em 2011 e a diminuição das cotações internacionais do açúcar, óleo, cereais e derivados de leite.
O índice de preços da FAO avalia as cotações de 55 produtos distribuídos em cinco categorias de alimentos (cereais, óleos, carne, derivados de leite e açúcar). Este índice é calculado mensalmente. Mesmo com a queda nos últimos 11 meses, o “Índice de Novembro da FAO” aponta que o preço dos alimentos em outubro deste ano foi 5% maior do que no mesmo período do ano passado e afirma que os preços ainda estão muito voláteis. Além disso, o mercado dos países em desenvolvimento continua aquecido e tem demanda crescente.
Outro estudo divulgado pela FAO, “Perspectivas alimentícias”, aponta que os preços dos alimentos poderão continuar baixos nos próximos meses, em teoria, porque 2011 deverá registrar uma produção recorde de cereais.
Espera-se que, neste ano, sejam colhidos 2,325 bilhões de toneladas de cereais, 3,7% a mais do que no ano passado. A produção de trigo deverá crescer 6%, a dos cereais secundários (como sorgo) 2,6%, e a do arroz, 3,4%. Ao mesmo tempo, o consumo mundial deverá acompanhar o ritmo do crescimento populacional e ficar estável em 153 quilos de cereais por pessoa por ano.
Além do aumento da produção de cereais e da estabilidade no consumo, o fornecimento de açúcar aumentou e o preço caiu a partir de junho. A maior produção de óleo de palma e a colheita recorde de sementes de girassol fizeram cair o preço do óleo nos últimos meses.
Segundo o analista de grãos da FAO, Abdolreza Abbassian, mesmo a produção maior de alimentos poderá não ser suficiente para manter os preços baixos, pois as cotações continuam muito voláteis por causa das instabilidades nos mercados financeiros.

