São Paulo – O Índice de Preços dos Alimentos da União das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) caiu 5,2% de julho para agosto e ficou em 155,7 pontos. Foi o maior recuo mensal do indicador desde dezembro de 2008, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pela instituição.
De acordo com a agência da ONU, os preços seguem em queda contínua em função da oferta ampla, da baixa nos custos da energia e das incertezas sobre a desaceleração da economia da China. O índice acompanha os preços internacionais de cinco grandes grupos de commodities: cereais, carnes, lácteos, óleos vegetais e açúcar.
A forte valorização do dólar frente ao real brasileiro tem parte da culpa pela queda do índice. A FAO ressalta que o preço do açúcar caiu 10% de julho para agosto, e que isso foi resultado dessa “contínua” variação cambial, além do fato de que a Índia, país que é o segundo maior produtor mundial, será exportadora líquida na safra 2015/2016. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial da commodity.
No caso dos cereais, o indicador de agosto recuou 7% em relação a julho e 15,1% sobre agosto de 2014, na esteira da redução dos preços do trigo e do milho, após dois meses de ligeira alta.
Entre os óleos vegetais, houve queda de 8,6% em comparação com julho. O índice para estes produtos chegou a 134,9 pontos em agosto, nível mais baixo desde março de 2009. O desempenho reflete principalmente a redução do preço do óleo de palma, que atingiu seu menor patamar em seis anos e meio.
A FAO aponta também recuo considerável nos preços do leite em pó, queijo e manteiga, o que levou o índice dos lácteos a cair 9,1% de julho para agosto. Isso ocorreu principalmente pelo enfraquecimento da demanda na China, Oriente Médio e Norte da África.
Por outro lado, os preços das carnes permaneceram praticamente inalterados de julho para agosto. Em comparação com agosto de 2014, porém, houve um recuo de 18%. Em agosto do ano passado, no entanto, o índice das carnes havia atingido nível recorde.

