São Paulo – O índice de preços internacionais dos alimentos medido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) avançou 1% em março em relação a fevereiro, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (11) pela entidade, em Roma. A principal causa foi o aumento de 11% nos preços dos lácteos, que têm peso de 17% no índice.
Segundo a FAO, a variação nos valores dos lácteos foi uma das maiores já registradas de um mês para outro. O motivo, de acordo com comunicado da organização, foi a ocorrência de clima quente e seco na Oceania, que provocou uma queda significativa na produção de leite e de derivados na região.
A agência da ONU informa que os preços utilizados no índice são os das exportações da Nova Zelândia, pois o país é o principal exportador do setor e responde por quase um terço do comércio mundial de lácteos. Houve também, segundo a FAO, aumento nos valores dos produtos comercializados por outros fornecedores importantes, como a União Europeia e os Estados Unidos, mas não no mesmo patamar.
“O aumento excepcional é, em parte, um reflexo das incertezas do mercado, em que os compradores buscam fontes alternativas de fornecimento”, diz o comunicado do órgão. “Além disso, a produção de lácteos na Europa ainda não atingiu todo seu potencial, após um inverno especialmente frio que atrasou o crescimento das pastagens que alimentam os animais”, acrescenta.
Na área dos cereais, porém, a FAO revisou para cima sua projeção safra em três milhões de toneladas. “A produção mundial de cereais pode ter uma forte recuperação em 2013, salvo a ocorrência de condições climáticas desfavoráveis em grandes regiões produtoras”, afirma a organização. A estimativa de colheita é apenas 2% menor do que a produção recorde registrada em 2011, segundo a entidade.
No caso do trigo, a agência da ONU espera que a safra aumente 4% para 690 milhões de toneladas, segundo melhor resultado da história, abaixo apenas das 700 milhões de toneladas de 2011.
Não houve, no entanto, variação no índice de preços dos cereais de fevereiro para março. Ocorreu aumento dos valores do milho, que foi compensado pela redução do preço do trigo, enquanto as cotações do arroz ficaram estáveis.
Entre os óleos e gorduras, o índice de preços recuou 2,5% influenciado pelo óleo de soja, cujos valores caíram por causa das boas condições climáticas na América do Sul, da perspectiva de colheita recorde nos Estados Unidos e do cancelamento de compras da commodity pela China. Houve recuo também no preço do óleo de palma.
O índice de preços das carnes recuou 2% e o do açúcar aumentou 1%, segundo a FAO.


