Alexandre Rocha
São Paulo – O presidente da Embraer, Maurício Botelho, fez hoje (18) a defesa mais enfática das vantagens do Mirage 2000 BR, avião que a empresa brasileira oferece em consórcio com a francesa Dassault na licitação promovida pela Força Aérea Brasileira (FAB) para a compra de 12 caças supersônicos.
"Espera-se o resultado da concorrência até o final do mês e a expectativa é de que vamos vencer", afirmou Botelho durante evento em que foram apresentados os resultados da Embraer de 2003. De acordo com ele, dos cinco participantes da licitação os "três mais fortes" são a Embraer/Dassault, a Gripen International e o consórcio Roboronexport, que oferece o Sukhoi 35.
"Se o governo decidiu investir US$ 1 bilhão no negócio, em um país que tem tantas carências, então ele deve ser importante à beça", afirmou. Segundo o ministro da Defesa, José Viegas, o valor da concorrência gira em torno de US$ 700 milhões. No entanto, Botelho disse que isso cobre apenas o valor dos aviões, mas é preciso armá-los, o que eleva o valor do contrato para mais de US$ 1 bilhão.
Segundo o executivo, a proposta da Embraer/Dassault é a única que prevê transferência total de tecnologia da companhia francesa para a parceira brasileira. Isso, de acordo com ele, vai garantir à FAB "independência" para decidir qual uso será feito dos aviões e que tipo de armamento vai equipá-los. "Esse é o valor estratégico do nosso produto", ressaltou.
Concorrentes
Sob este ponto de vista, ele fez questão de desqualificar os principais concorrentes. De acordo com Botelho, 50% da tecnologia empregada no Gripen é de origem norte-americana, e os Estados Unidos não permitem a transferência de tecnologia militar para outros países.
"Eles (Gripen) podem jurar que vão fazer a transferência, mas o governo brasileiro não vai acreditar em uma fantasia, de que os EUA vão permitir a exportação da tecnologia", declarou. A Gripen é formada pela sueca SAAB e pela britânica BAE Systems. Além disso, Botelho afirmou que o Mirage é mais veloz, tem maior capacidade para carregar armamentos e maior alcance de vôo do que o Gripen.
Quando ao russo Sukhoi 35, ele disse que, embora a competência da engenharia aeronáutica russa seja inquestionável, o país eslavo tem problemas industriais, o que pode ocasionar atrasos e problemas no fornecimento de peças. Botelho acrescentou que o Sukhoi 35 ainda é um protótipo e apenas cinco unidades estão em operação no mundo. "Se o governo brasileiro comprar, então serão 17 protótipos, não uma produção em série. Seria uma aposta, mas eu acredito no bom senso", concluiu.

