Marina Sarruf
São Paulo – O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, deverá vir ao Brasil no segundo semestre deste ano. A afirmação é do ministro sírio da Informação, Mohsen Bilal, que visitou ontem (24) a sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na qual foi recebido pelo presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr. O ministro também participou, na terça-feira (23), de um jantar com a comunidade de origem síria em São Paulo.
Ele virá para falar com o presidente Lula sobre intercâmbio comercial, política, energia, economia e turismo", disse o ministro à reportagem da ANBA, sobre a visita do presidente sírio ao Brasil. Essa vai ser a primeira vez que um presidente sírio virá a um país sul-americano. "Isso já mostra a atenção que o governo sírio tem demonstrado pela América Latina e pela grande coletividade árabe que vive nesses países", disse Sarkis.
De acordo com o presidente da Câmara Árabe, a corrente comercial entre Brasil e Síria, que somou cerca de US$ 240 milhões no ano passado, demonstra o potencial de crescimento que existe entre as duas nações. Em discurso para mais de 250 convidados, na noite de terça-feira, Sarkis falou da importância do país árabe para as relações comerciais brasileiras e que há nove anos a Câmara Árabe vem participando da Feira Internacional de Damasco e de outros eventos na Síria.
Sarkis falou ainda sobre o papel da comunidade árabe estabelecida no Brasil, que atua hoje em diversos setores e atividades da economia brasileira. "Graças a este trabalho, contamos com renomados profissionais liberais de origem árabe, com um comércio forte e próspero e com excelentes hospitais, clubes e entidades", afirmou.
O ministro sírio também abordou em seu discurso a importância da comunidade árabe no Brasil. "Vocês todos são representantes das civilizações árabes no Brasil. Vocês são uma ponte entre o mundo árabe e o mundo latino-americano", disse. "São milhares de brasileiros de origem síria e árabe em trabalho contínuo para construir este grande país, que é o futuro do mundo", acrescentou.
Em relação ao comércio bilateral, o ministro disse que a Síria tem muitos produtos para oferecer ao Brasil, como azeite de oliva, algodão, fosfato, petróleo, medicamento e têxteis. Segundo ele, uma razão das exportações brasileiras para o país árabe serem bem maiores que as importações é devido ao tamanho do Brasil. "O Brasil é um continente perto da Síria, tem muito mais para nos oferecer", afirmou. As vendas externas brasileiras para Síria somaram cerca de US$ 200 milhões em 2006, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.
O ministro lembrou ainda da importância da Cúpula América do Sul-Países Árabes, reunião de chefes de estado das duas regiões, que ocorreu em maio de 2005 no Brasil. "Lula foi o primeiro líder sul-americano a tomar uma iniciativa de realizar esse encontro histórico", disse. Outra iniciativa lembrada por Mohsen foi da visita de Lula à Síria, em 2003.
Segundo o embaixador da Síria em Brasília, Ali Diab, que também esteve no jantar no Esporte Clube Sírio, a vinda do ministro traduz a real importância da relação entre os dois países. "Sua vinda concretiza a boa relação entre os dois presidentes", disse.
Durante o jantar, Dom Damaskinos Mansur, arcebispo metropolitano da Igreja Ortodoxa, também discursou e deu as boas vindas ao ministro sírio. "Este é um evento especial. É bonito quando os irmãos se encontram. Visita como essa nos faz lembrar da nossa querida pátria", disse. Além dele, o cônsul-geral da Síria em São Paulo, Ghazi Deeb, também falou aos convidados. "Ficamos felizes de ver toda essa comunidade reunida como se fossemos uma família", disse.
Estavam presentes também no jantar, Paulo Atallah, Walid Yazigi e Willian Adib Dib, ex-presidentes da Câmara Árabe; o vice-presidente de marketing da entidade, Rubens Hannun; o secretário-geral, Michel Alaby, e os diretores Sami Roumieh e Mustapha Abdouni.
Entre outras autoridades que participaram estavam o cônsul da Síria em Curitiba, Abdu Abagi; o cônsul honorário da Síria no Paraguai, Mikhail Miskin; o cônsul do escritório comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakry; o deputado federal Jamil Murad; o deputado estadual Said Mourad; e os xeques Mohamed El Bokaii, da Liga da Juventude Islâmica do Brasil, Jihad Hassan Hammadeh, da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica da América Latina, e Mohamad El Moughraby, da Mesquita Brasil.
Na Câmara
Na visita à Câmara Árabe, Sarkis falou um pouco sobre o trabalho da entidade e também sobre outras organizações de origem árabe existes em São Paulo, como o Hospital Sírio Libanês, o Hospital do Coração e o Lar Sírio Pró-Infância. Ele agradeceu a visita do ministro e entregou uma placa comemorativa, um exemplar do Alcorão com tradução para o português feita pelo professor Helmi Nasr, vice-presidente de relações internacionais da Câmara, uma cópia de Novo Mundo nos Trópicos, livro de Gilberto Freyre traduzido para o árabe também por Nasr, e um DVD com um documentário sobre a presença árabe no Brasil.
Mohsen, por sua vez, deixou uma mensagem no "Livro de Ouro" da Câmara – onde autoridades deixam registradas suas impressões da visita – elogiando Sarkis e a entidade, dizendo que ela serve como uma ponte entre os povos do Brasil e do mundo árabe.

