Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (22), após almoço com o presidente do Líbano, Michel Sleiman, em Brasília, que mandou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, viajar hoje mesmo para Teerã, capital do Irã, para tratar do programa nuclear do país. “Vamos conversar para ver se a gente amadurece toda e qualquer decisão até a minha chegada à Teerã”, afirmou Lula, em entrevista coletiva, referindo-se à visita que fará ao Irã em maio.
O Brasil é contra a imposição de novas sanções ao Irã pelo Conselho de Segurança da ONU e defende uma saída negociada para impasse sobre o programa nuclear do país. O governo iraniano diz que busca o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, mas potências ocidentais, em especial os Estados Unidos, desconfiam que Teerã esteja buscando desenvolver armas atômicas.
“Queremos preparar a [minha] viagem, saber quais as possibilidades que temos de fazer com que a agência [internacional de energia atômica] faça um acordo com o Irã”, afirmou o presidente. Amorim vai também à Turquia e Rússia. O Brasil, a Turquia e o Líbano são contra a ampliação das sanções e os três países são atualmente membros temporários do Conselho de Segurança.
Lula reafirmou que o Brasil defende o uso de energia nuclear para fins pacíficos. “Queremos para o Irã aquilo que queremos para o Brasil, e no Brasil está prevista na Constituição a proibição de armas nucleares”, declarou. “Nós temos autoridade moral e política para discutir esse assunto com quem quer que seja”, acrescentou.
Segundo o presidente, “discutir a paz no mundo não é privilégio de um ou outro país, mas de todos aqueles que praticam cotidianamente a paz”. O Brasil busca ter uma maior participação nas negociações dos conflitos no Oriente Médio.
Lula disse ainda que é preciso esforço para se chegar a uma saída negociada na questão do Irã. “Eu acho que vai prevalecer a maturidade dos homens que compõem o Conselho de Segurança”, destacou. Segundo ele, a garantia de que o Irã e outros países não vão desenvolver armas nucleares é a assinatura de tratados internacionais formulados por órgãos multilaterais, como a ONU.

