São Paulo – O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, virá ao Brasil na próxima semana para assistir à posse da presidente eleita Dilma Roussef, que será realizada no sábado (01), em Brasília. A visita ocorre pouco mais de um mês após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado o reconhecimento do Estado Palestino pelo governo brasileiro.
A chegada de Abbas ao Brasil está programada para quinta-feira (30), segundo informações da embaixada da Palestina em Brasília. Na sexta-feira (31), ele fará o lançamento da pedra fundamental da nova sede da representação diplomática de seu país, que será construída em terreno doado pelo governo brasileiro. O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, vai representar a entidade na cerimônia.
A agenda ainda não está fechada, mas o presidente palestino deverá ter reuniões bilaterais com outros líderes que vão estar na capítal brasleira para a posse de Dilma.
Esta será a segunda visita de Abbas ao Brasil. Ele esteve no país em novembro de 2009, e Lula retribuiu a visita em março deste ano, quando esteve em Belém e Ramallah, na Cisjordânia.
A viagem do presidente da ANP ocorre em um momento em que as negociações de paz entre palestinos e israelenses estão paralisadas. Hoje, o principal impasse é a relutância do governo de Israel em suspender a autorização para construção de imóveis por colonos em áreas ocupadas na Guerra dos Seis Dias, de 1967, especialmente em Jerusalém Oriental.
O Brasil buscou durante o governo Lula uma maior participação na mediação do conflito e defende a criação do Estado Palestino de acordo com as fronteiras anteriores a 1967, quando a Cisjordânia, incluindo a parte oriental de Jerusalém, estava sob domínio árabe.
A posição brasileira sobre o reconhecimento do Estado Palestino foi seguida pela Argentina e a Bolívia, que também defendem as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, que é a posição da Organização das Nações Unidas (ONU).
A defesa da criação do Estado Palestino não impede, porém, que o Brasil mantenha boas relações com Israel. Prova disso é a visita que o presidente israelense, Shimon Peres, fez ao Brasil, também em novembro de 2009, retribuída por Lula na mesma ocasião em que ele esteve na Cisjordânia; além do acordo de livre comércio assinado pelo Mercosul e Israel, o primeiro do gênero firmado pelo bloco sul-americano fora da América Latina. Vale lembrar que Brasil e Argentina são os maiores sócios do bloco.
O Brasil tem dado também ajuda humanitária e financeira para projetos na Palestina, principalmente após o ataque israelense à Faixa de Gaza no início do ano passado. Há ainda empenho do governo e de entidades privadas na promoção das relações econômicas e comerciais.

