São Paulo – Uma empresa que pretende se internacionalizar só deve se preocupar com os documentos e a burocracia no fim do seu processo de busca por novos mercados. Antes, o micro ou pequeno empresário precisa estudar o mercado em que deseja atuar, quais são os produtos de seu portfólio que se encaixam naquela região e quais são os costumes locais. Essas foram as recomendações de Nicola Minervini, um dos palestrantes do seminário “Soluções para internacionalização de pequenas e micro empresas”, realizado na terça-feira (28) pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas em São Paulo (Sebrae-SP).
Uma das formas de conhecer o mercado alvo, disse Minervini, é participar de feiras setoriais. “Nunca vá pela primeira vez a uma feira como expositor, mas como visitante”, recomendou. Essa medida ajuda o empresário a conhecer quais são os métodos que deverá utilizar no país onde pretende vender seu produto, como irá formar o preço da mercadoria e quais documentos precisará obter para fazer negócios. O palestrante é autor do livro O Exportador.
Minervini recomendou aos empresários investir em uma marca forte, registrar essa marca no mercado alvo, ter produtos com design diferenciado, buscar um nicho de mercado para atuar, trabalhar em conjunto com outros micro ou pequenos empresários, ter comprometimento com o cliente externo e organização de trabalho. “Tudo isso precisa ser feito por quem deseja se internacionalizar. Obter documentos é necessário, mas é o fim deste processo”, afirmou Minervini.
O consultor sênior de comércio exterior do Sebrae-SP, Mauricio Golfetti, afirmou que a internacionalização não apenas abre novos mercados e fontes de receita para uma companhia, como também pode fortalecê-la no mercado interno. “Uma empresa internacionalizada tem mais clientes, fornecedores, parceiros, pode reduzir os custos com ganho de escala e mostra ao mercado interno que é capaz de competir com concorrentes em locais diferentes daquele em que sempre atuou”, disse.
Golfetti observou que o crescimento da economia, a realização da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016, colocaram o Brasil “na moda” e que isso irá gerar um fato “novo” na economia. Esse fato novo, disse, é trazer empresas estrangeiras para investir aqui e buscar parceiros locais. “Já há demanda das empresas estrangeiras por investir aqui e se associar com quem está aqui. Mas, para isso, é preciso haver capacitação”, afirmou.
Um dos participantes do evento foi o diretor comercial da Lince Systems, Daniel Fortunato. A empresa desenvolveu um sistema de impressão de outdoors menos poluente por meio de substituição de chapas e de produtos químicos, e hoje tem duas patentes registradas.
“Quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor, em São Paulo, perdemos 70% do mercado. Sobraram cinco empresas, que ainda hoje trabalham conosco, mas não podemos deixar de crescer. E crescer, neste caso, significa que precisamos nos internacionalizar”, disse. A Lei Cidade Limpa, que entrou em vigor em 2007, regulamentou a publicidade em São Paulo e proibiu, entre outras, a propaganda por meio de outdoors.
A Lince ainda não exporta seus produtos e serviços, mas está se preparando para entrar nos mercados argentino e mexicano. Fortunato acredita que é possível ir além. “Tenho muita vontade de atuar no Egito. Pelas imagens que vejo, eles devem utilizar muitos outdoors. Teríamos um mercado interessante lá”, disse.
Dono de uma empresa que representa fabricantes de leites e de biscoitos, Marcos Pereira acredita que o atual momento da economia e de seus clientes lhe permite exportar. A microempresa foi criada em 2000, mas ele nunca encontrou a oportunidade para vender para outros países. “Agora tenho clientes com marcas fortes que posso levar ao exterior. Outro benefício é que trabalho com alimentos. Esteja o mundo em crise ou não, alimentos sempre são necessários”, disse. Pereira pretende exportar primeiro para países da África que falam português, como Moçambique.

