São Paulo – A produção mundial de minério de ferro chegou a 1,92 bilhão de toneladas no ano passado, um aumento de 4,7% em relação a 2010. O comércio internacional do produto movimentou 1,115 bilhão de toneladas em 2011, com crescimento pelo 10º ano consecutivo. Os volumes foram recordes, de acordo com informações divulgadas nesta terça-feira (31) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
A extração, segundo a agência da ONU, avançou em todas as regiões produtoras, com exceção da Europa, incluindo os países da ex-União Soviética. Entre os maiores fornecedores, aumentou a produção da Austrália (12,7%), Brasil (5,1%) e China (2,1%), enquanto a da Índia caiu 7,5%. As nações em desenvolvimento responderam por 49,5% das exportações em 2011.
A retomada da demanda da indústria siderúrgica, após a crise financeira internacional de 2008, foi quase que completamente puxada pela China, segundo a Unctad. No ano passado, o país importou 686,7 milhões de toneladas, ou mais de 60% das importações mundiais. O volume foi 11% maior do que o de 2010.
O relatório do órgão informa que a fabricação de aço no resto do mundo também cresceu no ano passado, mas não chegou a atingir o patamar anterior à crise.
No que diz respeito às empresas, a brasileira Vale continuou a ser a maior produtora mundial, com 323 milhões de toneladas em 2011. Ela e as australianas Rio Tinto e BHP Billiton responderam por 34,7% da extração mundial. Houve certa desconcentração, uma vez que em 2010 a fatia delas foi de 35%.
Os preços do minério, de acordo com a Unctad, mantiveram tendência de alta no ano passado. No fim do ano, porém, houve declínio por conta da redução do crescimento chinês e da piora nas condições econômicas na Europa. No primeiro semestre de 2012, as cotações se mantiveram constantes. A agência da ONU ressalta que os valores estão altos frente à média história, mas apenas no limite do rentável para produtores que têm custos elevados, como a própria China.
Previsões
A Unctad estima que a produção mundial de minério vai chegar a 2 bilhões de toneladas este ano e a 2,08 bilhões no próximo. A agência avalia que o mercado terá “condições apertadas” por vários anos, apesar de esperar lenta redução de preços a partir de 2013, na medida em que a oferta se adaptar à demanda. O valor, no entanto, continuará acima da média histórica, com “piso” de US$ 120 por tonelada entregue na China.
Previsão feita em maio de 2012 diz que a capacidade de produção global poderá ser ampliada em 796 milhões de toneladas até 2014. Destes projetos previstos, de acordo com o estudo, 28% são da Oceania, 15% da América Latina, 14% da África, 20% da Europa, 10% da América do Norte e 12% da Ásia.

