Marina Sarruf
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São Paulo – As vendas e a produção de veículos no Brasil bateram recorde em novembro e no acumulado do ano. Foram licenciados 237 mil veículos no mês passado e 2,2 milhões no período de janeiro a novembro. A produção somou 267,5 mil unidades em novembro e 2,75 milhões nos 11 primeiros meses do ano. “São números absolutamente positivos”, afirmou ontem (06) o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.
A entidade inclui na soma dos veículos os automóveis, ônibus e caminhões. De acordo com Schneider, o crescimento foi muito influenciado pelo aumento das condições de crédito, pela redução dos juros e pelas novas regras de financiamentos, que podem ser alongados. Segundo o executivo, em outubro, por exemplo, houve um aumento de 27% no saldo de crédito disponível em relação ao mesmo mês do ano passado.
Outro segmento que também apresentou um aumento significativo nas vendas internas foi o de máquinas agrícolas, que somaram 3,7 mil unidades em novembro, o que representou um crescimento de 70% em relação ao mesmo mês do ano passado, e 35,5 mil unidades no período de janeiro a novembro, um aumento de 48,4% em comparação ao mesmo período de 2006.
“O aumento das vendas de máquinas agrícolas reflete um crescimento do setor agrícola. Nós temos visto expansão efetiva em preços de commodities no mercado internacional e isso reforça a decisão de plantio”, afirmou Schneider. Ele disse ainda que há uma expectativa de aumento de safra, o que também leva a uma expansão na compra de tratores, máquinas agrícolas e outros veículos.
A produção de máquinas agrícolas saiu de 43,36 mil unidades de janeiro a novembro de 2006 para 60,95 mil nos 11 primeiros meses deste ano, o que representou um crescimento de 40,6%. Já em relação às exportações, foram embarcadas 24 mil unidades de tratores, cultivadores, colheitadeiras e retroescavadeiras até novembro, contra 20,47 mil unidades de janeiro a novembro do ano passado, um crescimento de 22,2%.
As vendas externas de veículos e máquinas agrícolas somaram US$ 12 bilhões até novembro, o que representou um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as exportações de veículos em volume apresentaram uma queda de 6,6%. As vendas saíram de 778,64 mil unidades em 2006 para 727,24 mil no período de janeiro a novembro deste ano.
Segundo projeções da entidade para o fechamento do ano, a quantidade de veículos exportados deve ter uma queda de 7,5%. “Exportação é um desafio”, afirmou Schneider. De acordo com ele, as exportações precisam ter um reforço na sua competitividade. “Entendo que o dólar faz parte de uma política macroeconômica bem sucedida, que é um dado da realidade, esse esforço de competitividade nas exportações deve vir através de investimentos na infra-estrutura, da possibilidade do produto brasileiro competir com mais eficiência e força no mercado externo”, disse ele, que se referiu à valorização do real frente ao dólar.
Os principais destinos das exportações brasileiras do setor foram México, Argentina e Chile, que representam cerca de 65% das vendas. Além desses países, os automóveis, caminhões, ônibus e tratores brasileiros também são embarcados para os países árabes. De janeiro a outubro desse ano, as vendas brasileiras para o mundo árabe somaram US$ 247 milhões.
Perspectivas
Para 2008, Schneider previu que as vendas do setor automotivo devem crescer 17,5%, somando 2,88 milhões de unidades. A estimativa é de que 2,5 milhões de veículos nacionais sejam comercializados, além de 380 mil importados. Para máquinas agrícolas, o executivo também espera um crescimento. De 37 mil unidades vendidas em 2007 para 42,5 mil em 2008, o que vai representar um aumento de 14,9%.
Em relação às exportações para o ano que vem, a previsão da Anfavea é que as vendas externas fiquem estáveis, em US$ 13 bilhões. Já em volume, a expectativa é de uma redução de 5,1%, caindo de 780 mil unidades para 740 mil.
Para a produção de veículos em 2008, a entidade espera um aumento de 8,9%, com uma produção de 3,24 milhões de unidades. Segundo Schneider, a capacidade instalada de hoje é de 3,5 milhões de unidades. “O que mostra ainda uma condição plena de atendimento de demanda”, afirmou. Para máquinas agrícolas, a Anfavea prevê um crescimento de 9,5% na produção, somando 69 mil unidades.

