Agência Sebrae
Caxias do Sul – Produzir uvas mais doces, saborosas e livres de agrotóxicos é o objetivo da Associação de Produtores de Uva de Mesa de Cultivo Protegido (Apup), de Caxias do Sul (RS), município distante 125 quilômetros de Porto Alegre. A entidade agora pretende criar o primeiro pólo de uvas de mesa protegidas (cultivo sob lona plástica) no Estado para atender a demanda de consumo regional.
A criação da Apup foi impulsionada pelo Programa Juntos para Competir, ação desenvolvida pelo Sebrae no Rio Grande do Sul, pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
De acordo com a consultora do programa Juntos Para Competir e responsável pelo atendimento das propriedades, Miriam Amaro, o processo de cultivo sob lona plástica garante a qualidade superior das frutas. "A uva fica com um aspecto de rara beleza e um sabor incomparável, além de ser muito mais saudável em função da redução drástica do uso de insumos", afirma. Ela complementa que a produção de uvas de mesa finas é feita em propriedades familiares de forma artesanal e cuidadosa, o que exige a especialização do produtor no manejo.
Segundo ela, a produção do grupo ainda é limitada, mas, na medida em que aumente a demanda, devem ser incluídos novos associados. A associação permite ainda, segundo Miriam, a troca de informações sobre cultivo, manejo e novas tecnologias de produção. O Programa Juntos para Competir busca organizar e aprimorar as cadeias produtivas do agronegócio no Rio Grande do Sul.
As novas experiências possibilitadas pela criação e interação do grupo são ressaltadas pelo produtor rural e presidente da Apup, Valderezes Formigheri. “O cultivo sob lona é novo no Brasil. Iniciamos de forma pioneira na cidade há dez anos, por isso, compartilhar informações é tão importante para a evolução do setor”, avalia.
Valderezes destaca que, durante a Festa da Uva, realizada de 21 de fevereiro a 9 de março, em Caxias do Sul, houve a primeira comercialização da fruta, o que serviu de teste da aceitação dos consumidores. “Tínhamos um receio de não ter grande procura, mas o resultado foi acima do esperado”.
Foram comercializados cerca de 6,5 mil quilos de uva finas, do tipo Itália e Rubi, e americanas, do tipo Niágara, Rosada e Branca, gerando R$ 20 mil em faturamento. “Tivemos que correr para repor o estoque”, comemora. Os preços do quilo variavam de R$ 2 (americanas) a R$ 4,50 (finas).

