Agência Sebrae
Brasília – Em Santa Maria da Boa Vista, a 611 quilômetros de Recife (PE), um grupo de 16 produtores rurais formou um condomínio para criação de cabras leiteiras. A iniciativa, que tem o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), já está dando certo.
Foi em 2005 que os produtores da Associação Agropecuária do Vale do São Francisco (Aprisco do Vale) resolveram formar o grupo para criação das cabras leiteiras. Na mesma época, eles participaram de caravanas do Sebrae para conhecer experiências semelhantes desenvolvidas em outras regiões e também passaram por capacitações. Assim, a equipe técnica do grupo elaborou um projeto produtivo participativo para criação de cabras leiteiras em regime de condomínio.
Com o projeto pronto, os produtores conseguiram levantar um empréstimo bancário para comprar as cabras e montar a estrutura do condomínio. Assim, o condomínio começou a ser estruturado. Hoje são 180 cabras, 70 em lactação, criadas em beira de rio, e 110 que são preparadas para produzir leite. As terras, que totalizam 215 hectares, são utilizadas em regime de comodato e pertencem a alguns criadores que participam do condomínio.
O condomínio de cabras leiteiras está inserido no projeto "Fortalecimento da Atividade da Caprino e Ovinocultura do Vale de São Francisco", desenvolvido pelo Sebrae em Pernambuco. O gestor local do projeto, Bras Lomanto, explica que os produtores adotaram nesse condomínio a máxima "tudo é de todos". "Desde a criação até a produção é responsabilidade de todos os produtores. As despesas e também o valor resultante das vendas são divididos igualmente", ressalta.
A produção foi iniciada há três meses no condomínio. Nessa propriedade, são produzidos cerca de 140 litros de leite de cabra por dia, dois por animal. "Nossa meta é chegar a produzir por dia até quatro litros de leite por animal", ressalta Lomanto, que fica na Unidade do Sebrae em Petrolina (PE). Segundo Lomanto, o leite das cabras é transformado em queijo artesanal e o restante, cerca de 30%, são distribuídos na merenda escolar pela prefeitura do município.
A partir de 2008, essa distribuição da produção será diferente. É que os produtores do condomínio, que fazem parte da Associação Agropecuária do Vale do São Francisco (Aprisco do Vale), conseguiram, por meio da parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), recurso para construir e equipar uma miniusina de leite de cabra e derivado. Será feita licitação para contratar a empresa que fará a edificação da usina e a que fornecerá os equipamentos. A expectativa é que a usina comece a funcionar em julho do ano que vem.
O presidente da Associação, José Américo Leite, conta que com essa usina o condomínio vai fornecer leite de cabra pasteurizado, para o programa Fome Zero, e leite achocolatado, para a merenda escolar. Já os consumidores poderão comprar queijo, iogurte e doce de leite produzidos no condomínio. "A usina terá capacidade de processar até mil litros de leite por dia", destaca.

