Isaura Daniel
São Paulo – O Brasil é um dos grandes fornecedores de produtos do agronegócio para os países árabes. As exportações de mercadorias com maior valor agregado para a região, porém, também está crescendo, segundo o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. O presidente da entidade falou sobre o tema na última sexta-feira (26) a um grupo de integrantes do Rotary Club de São Paulo, no Colégio Rio Branco, na capital paulista. Cerca de 70 pessoas estiveram presentes.
Sarkis ressaltou a importância do mercado árabe de produtos agrícolas e pecuários para o Brasil, já que a região importa 90% dos alimentos que consome, mas lembrou também que vendas de produtos como veículos, maquinários e aviões estão se destacando. O presidente da Câmara Árabe apresentou ao grupo o potencial do mercado árabe. Os 22 países da Liga Árabe importaram US$ 292 bilhões do mundo no ano passado, dos quais US$ 5,2 bilhões vieram do Brasil. "Há um potencial de crescimento muito grande nas vendas brasileiras", disse Sarkis.
O Produto Interno Bruto (PIB) da região é de US$ 1,02 trilhão. De acordo com o presidente da Câmara Árabe, a entidade identificou setores nos quais há grandes possibilidades de crescimento nas vendas brasileiras, entre eles manufaturados, autopeças, bebidas não alcóolicas, cosméticos e produtos farmacêuticos. "A Liga Árabe é o quinto maior destino das exportações brasileiras, à frente da Alemanha, por exemplo. É um mercado muito importante para o comércio exterior brasileiro", afirmou.
Os números apresentados por Sarkis surpreenderam os empresários e profissionais liberais presentes. "É uma surpresa para nós que o comércio externo do Brasil com os árabes seja tão significativo", disse o presidente do Rotary Club de São Paulo, José Roberto de Arruda Pinto. O presidente da Câmara Árabe também citou alguns dos megaprojetos que estão sendo levados adiante no mundo árabe, como a construção de ilhas artificiais e estações de esqui, que ilustram o potencial de consumo local.
Para crescer
As exportações do Brasil para o mercado árabe cresceram 24% entre janeiro e abril deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. O Brasil faturou US$ 1,65 bilhão com vendas para a região nos quatro primeiros meses de 2006 contra US$ 1,33 bilhões entra janeiro e abril de 2005. A Câmara Árabe trabalha, ao lado de governos e empresários, para aumentar o comércio entre as duas regiões. Durante a palestra da sexta-feira aos integrantes do Rotary, Sarkis fez uma breve apresentação sobre o trabalho da entidade.
No ano passado, por exemplo, a Câmara Árabe promoveu e participou em 54 eventos, dos quais 20 aconteceram nos países árabes. Um deles foi a promoção, em São Paulo, de um encontro de negócios após a Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos, no mês de maio, que reuniu 150 empresários árabes e 500 brasileiros. A entidade também assinou um convênio com o Ministério de Relações Exteriores do Brasil para dar seguimento aos assuntos da Cúpula. A Câmara Árabe foi fundada há 53 anos e é a única no Brasil reconhecida pela União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes.
Sarkis recebeu convite para fazer a palestra do atual presidente da Comissão de Programas de Gestão do Rotary Club de São Paulo, Nahid Chicani, que é membro da diretoria da Câmara Árabe, e já ocupou vários cargos no Rotary, entre eles a presidência na gestão 1996/1997. "Sempre procuramos pessoas importantes na comunidade para trazem uma mensagem atual e de relevo para conhecimento dos rotarianos", explicou Chicani.
De acordo com o presidente do Rotary, o clube possui integrantes de descendência árabe. "Temos interesse em nos aproximar do mundo árabe. Há uma simpatia natural dos brasileiros em relação aos árabes e dos árabes em relação aos brasileiros", afirmou. O Rotary ofereceu a Sarkis um certificado por sua palestra e participação no encontro.

