São Paulo – A brasileira Débora Garofalo, conhecida no meio educacional pela inovação no ensino de robótica, foi anunciada como Global Teacher Influencer 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na segunda-feira (2). Em entrevista à ANBA, Débora disse que ganhar o prêmio foi uma mistura de emoção, gratidão e responsabilidade. “Eu me senti representando não apenas o meu trabalho, mas a educação pública brasileira, os professores e professoras que resistem diariamente e os meus estudantes.”
O prêmio é dado pela Fundação Varkey, também responsável pelo Global Teacher Prize, do qual Débora foi finalista em 2019, já um marco na sua trajetória internacional. Diferente do Teacher Prize, no entanto, o prêmio que a brasileira recebeu nesta semana não é uma competição com finalistas e inscrições, mas um reconhecimento único concedido a educador de destaque global pelo alcance, pela relevância e pela coerência do trabalho educacional divulgado nas redes.

De acordo com Débora, o prêmio tem como foco reconhecer um professor que utiliza as redes sociais e plataformas digitais para ampliar o impacto da educação para além da sala de aula, influenciando positivamente estudantes, professores e comunidades. A escolha é da Fundação Varkey a partir da análise do impacto educacional, da consistência do trabalho, do engajamento e do propósito social do conteúdo produzido. A brasileira foi premiada em jantar de gala.
Débora começou a ganhar visibilidade na carreira de educadora a partir de um projeto em que utilizava sucatas no ensino de robótica. “Ele surgiu em uma escola pública de São Paulo, em um território marcado por desigualdades sociais e problemas ambientais, especialmente o descarte irregular de lixo”, relata. A ideia, explica ela, foi transformar materiais descartados em ferramentas de aprendizagem, utilizando a robótica para desenvolver pensamento crítico, criatividade, trabalho em equipe e consciência ambiental.
Os alunos criavam protótipos como carrinhos, barcos, aviões e outros equipamentos, unindo tecnologia, sustentabilidade e protagonismo estudantil, de acordo com Débora. O projeto foi se transformando ao longo do tempo, incorporou novas tecnologias, metodologias e alcance, mas manteve como princípio a ideia de que educação de qualidade pode ser feita com poucos recursos, desde que haja intencionalidade pedagógica e compromisso social, explica a educadora.
Consolidado na escola, o projeto passou a ser política pública brasileira, com implementação em 5.400 escolas e alcançando 3,7 milhões de estudantes. Foi levado para eventos educacionais, formações de professores, feiras, congressos e espaços institucionais no Brasil e no exterior. “Também contribuiu para debates sobre currículo, especialmente na área de tecnologia e inovação, influenciando políticas públicas e práticas pedagógicas em diferentes redes de ensino”, diz.
Débora da escola e da inovação
Formada em Letras e Pedagogia, especializada em Língua Portuguesa pela Unicamp, mestra em Educação pela PUC-SP e Fab Learn Fellow, Columbia, dos Estados Unidos, e professora convidada da USP, Débora construiu uma trajetória profissional diversa. Além de professora da rede pública, é coordenadora da Escola de Formação do município de São Paulo, consultora, palestrante e formadora docente, colunista de publicações especializadas, autora de vários livros, integrante de comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e ganhadora de uma série de prêmios e reconhecimentos no Brasil e no exterior.
Esse prêmio não é um ponto de chegada, mas um incentivo para continuar caminhando, aprendendo e lutando por uma educação mais justa, humana e transformadora.
Débora Garofalo
Débora já esteve várias vezes nos Emirados em função das premiações, eventos educacionais, conferências e encontros promovidos pela Fundação Varkey e pela GEMS Education, momentos que afirma que possibilitaram trocas muito ricas com educadores de vários países e abriram portas para diálogos internacionais sobre educação, inovação e sustentabilidade. O fundador da Varkey e GEMS,Sunny Varkey, é um empresário baseado nos Emirados. Débora ainda não desenvolveu um projeto contínuo ou cooperação formal com instituições dos Emirados ou de outros países árabes, mas afirma que as conexões desenvolvidas têm criado oportunidades importantes de articulação e futuras parcerias.
Ao falar para a ANBA sobre o que a move, ela diz que quer continuar mostrando que a escola pública é um espaço de potência, criatividade e transformação. “Quero seguir ampliando o alcance dos projetos, inspirando outros educadores, defendendo a valorização docente e reforçando a ideia de que a educação é a ferramenta mais poderosa para transformar realidades — no Brasil e no mundo”, afirma. Sobre o prêmio, Débora ainda diz que ele não é um ponto de chegada, mas um incentivo para continuar caminhando, aprendendo e lutando por uma educação mais justa, humana e transformadora.
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