São Paulo – O programa “Start-Up Brasil” vai financiar projetos de 25 empresas estrangeiras de tecnologia que queiram realizar seus trabalhos no Brasil e precisem de capital para se desenvolver. Promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a iniciativa faz parte do TI Maior, projeto estratégico de software e serviços de tecnologia da informação do governo federal.
O objetivo do programa é ligar as startups a empresas aceleradoras, ou seja, aquelas que possuem capital e conhecimento para investir nas companhias iniciantes. O orçamento do programa é de R$ 40 milhões. Além das companhias estrangeiras, o “Start-Up Brasil” vai beneficiar também 75 empresas nacionais.
“O programa foi aberto para empresas estrangeiras por um princípio de que esta é uma cadeia global e não temos condições de pensar em soluções globais de tecnologia apenas com as empresas brasileiras”, explica Rafael Moreira, coordenador de software e serviços de TI do ministério. “Os Estados Unidos fizeram isso muito bem. Há outras experiências internacionais que mostram que as empresas estrangeiras trazem novas ideias e isso faz com que o nível do programa tenha uma qualidade global”, diz.
O programa é aberto para empresas de todo o mundo. Para participar é necessário ter até três anos de constituição formal e desenvolver produtos ou serviços inovadores e que utilizem software e serviços de TI como parte de sua solução. Os estrangeiros que tiverem seus projetos aprovados terão ajuda para tirar o visto temporário no Brasil.
Cada startup selecionada receberá até R$ 200 mil por ano do governo federal, repassados na forma de bolsas para pesquisa e desenvolvimento concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além disso, as startups receberão recursos das aceleradoras.
Dependendo das negociações realizadas entre as partes, os valores podem variar de R$ 20 mil a R$ 1 milhão. Não há limites para o número de integrantes das empresas candidatas, mas as companhias selecionadas deverão se adaptar ao valor recebido do programa para financiar a vinda de seus participantes ao Brasil.
A primeira fase do projeto definiu as nove aceleradoras que se associarão às startups, Acelera Brasil (Microsoft Participações), Wayra, 21212, Aceleratech, Papaya, Acelera MG (Fumsoft), Outsource Brasil, Start You Up e Pipa. “Boa parte das aceleradoras já está acostumada a trabalhar com empreendedores internacionais. Um dos pontos considerados na seleção era a internacionalização da aceleradora”, conta Moreira.
O prazo para a inscrição das startups interessadas vai até 31 de maio e as empresas selecionadas serão anunciadas em julho.
Os programas de aceleração terão início na primeira quinzena de agosto, quando acontece a “Induction Week”, evento que reunirá as startups selecionadas para apresentar o funcionamento do programa. De acordo com Moreira, todas as atividades do programa serão bilíngues. “As palestras serão em inglês ou em português com tradução simultânea. O ambiente nas aceleradoras também é bilíngue”, afirma.
A duração dos programas varia de três a 12 meses, de acordo com a aceleradora. Os empreendedores ficarão fisicamente dentro da infraestrutura da aceleradora e poderão usufruir de uma série de serviços, como espaço físico de trabalho, assessoria jurídica, capacitação e mentoring, espécie de tutoria, onde profissionais experientes orientam iniciantes.
“A aceleradora trabalha com o desenvolvimento de negócios. Ela prepara o empreendedor, aporta mentores, investidores e conhecimento de tecnologia. A aceleradora prepara o empreendedor não só para vender, para ter um bom produto, mas também para captar investimentos”, destaca Moreira.
O formulário de inscrição foi disponibilizado na última sexta-feira (03). Assim, o MCTI ainda não tem dados suficientes para definir os principais países que estão se candidatando às bolsas. No entanto, de acordo com os downloads feitos do edital em inglês, o ministério mostra que os países que mais acessaram foram os Estados Unidos, Argentina, Chile, Inglaterra, Índia e Rússia. “Cerca de dois mil estrangeiros fizeram download”, conta o coordenador do MCTI.
Moreira revela ainda que no segundo semestre, o “Start-Up Brasil” vai abrir um escritório no Vale do Silício, nos Estados Unidos. “O ‘hub’ possibilitará que aceleradoras e startups do mundo inteiro conheçam as empresas brasileiras, além de oferecer oportunidade de apoio e serviços, como apresentar as empresas brasileiras a aceleradoras e investidores”, explica. O escritório, que funcionará na cidade de São Francisco, está sendo organizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
Os interessados em participar do “Start-Up” Brasil devem acessar o link: http://startupbrasil.mcti.gov.br/en/


