Geovana Pagel
São Paulo – Micro e pequenas indústrias brasileiras já estão colhendo os frutos de um programa que tem por objetivo inseri-las no mercado internacional. Cerca de 900 empresas já foram beneficiadas pelo Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex).
A base do projeto, que começou a ser implementado em fevereiro deste ano, é treinar gratuitamente técnicos que atuam como consultores das empresas, identificando os gargalos existentes e apresentando soluções. A Fênix Couros, que produz componentes para calçados e dois mil pares por mês de sapatilhas masculinas, é uma das empresas que está se beneficiando do programa. Na empresa, que tem 10 funcionários e fica em Franca, foi identificada a necessidade de melhora da qualidade do produto acabado.
"Nossa meta é o mercado externo. Por isso precisamos nos organizar e melhorar sempre", afirmou o proprietário José Roberto Freitas. De acordo com Freitas, as visitas de um dos técnicos do Núcleo de Franca iniciaram há cerca de três meses. "Foi muito interessante, sobretudo pelos diálogos e pela troca de idéias. Quando o problema era identificado, a solução era encontrada em conjunto. Funcionou também como uma abertura para visualizar novos horizontes", garantiu.
De acordo com o gerente da Unidade de Inovação e Acesso à Tecnologia do Sebrae Nacional, Paulo Alvim, o projeto alia serviços de diagnóstico e orientação para pequenos negócios integrantes de Arranjos Produtivos Locais (APL). "A meta é aumentar a competitividade das micro e pequenas empresas e disseminar a cultura exportadora", disse Alvim.
As empresas beneficiadas até agora são indústrias de confecções de Brasília, Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul, de couro e calçados de São Paulo, de madeira e móveis do Pará, de plástico e tecnologia da informação da Bahia e de autopeças do Rio Grande do Sul.
O coordenador-geral do Departamento de Micro e Pequenas Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Tiago Terra, disse que o Peiex está inserido na política industrial, tecnológica e de comércio exterior, lançada pelo governo federal em 2004, que tem como meta aumentar as exportações e, com isso, reforçar a imagem dos produtos brasileiros no exterior.
"O Peiex nasceu da necessidade de dotar os APL de uma ferramenta que eleve cada empresa a um nível de competitividade padrão, através da modernização e capacitação empresarial e inovações que permitam um melhor desempenho nos mercados nacional e internacional", explicou Terra.
Cada núcleo operacional é composto por sete técnicos extensionistas e tem capacidade para atender até 252 empresas. O APL de Franca, por exemplo, foi um dos primeiros beneficiados pelo projeto. De acordo com Cleber de Barros, coordenador do Núcleo Operacional de Franca, o projeto já atendeu cerca de 200 empresas. "Como o projeto tem duração de 12 meses, a meta é atender 252 empresas até fevereiro de 2006", afirmou Barros.
Na prática, de acordo com Barros, o programa funciona da seguinte forma: primeiro os profissionais, chamados de extensionistas, são treinados para trabalhar como consultores dos empresários. Em seguida, visitam as empresas com a finalidade de verificar as áreas de administração organizacional, recursos humanos, finanças e custos, vendas e marketing, comércio exterior e produto e manufatura.
"Após a visita às empresas são eleitas duas ou três demandas para serem solucionadas. A tendência é encaminhar o empresário para uma instituição de apoio, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), para dar continuidade ao trabalho iniciado pelos extencionistas", explica Barros. Segundo ele, as principais dificuldades estão relacionadas com planejamento estratégico e qualidade.

