Isaura Daniel*
São Paulo – A Petrobras, companhia petrolífera brasileira, está estudando a possibilidade de construir usinas de regaseificação no Brasil. A implantação das unidades, que servem para transformar gás líquido em gasoso, abriria a possibilidade de o Brasil importar gás de países árabes como Catar, que fica no Oriente Médio, e a Argélia, no Norte da África. "Estamos estudando a possibilidade de construir terminais de regaseificação", confirmou à imprensa ontem (24) o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.
O gasoduto é a melhor solução para transporte de gás, mas, em função da distância, não é alternativa viável para trazer o produto do mundo árabe até o Brasil. O gás teria que ser enviado comprimido, em forma líquida, por navio para então ser regaseificado no país. De acordo com Gabrielli, as usinas serviriam para uso interrupto, em caso de necessidade, e não permanente. Com elas, porém, o Brasil poderia importar gás natural de "qualquer lugar do mundo", segundo o presidente da Petrobras.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, os países árabes que poderiam fornecer gás para o Brasil são Argélia e Catar. Gabrielli não afirmou que o Brasil vai importar o produto dos países árabes, mas, durante palestra no Fórum Estadão de Energia, que foi promovido ontem em São Paulo pelo jornal O Estado de São Paulo, disse que a maior expansão da produção de gás no mundo está no Catar e as maiores reservas no Oriente Médio. O Catar tem reservas comprovadas de 25,77 trilhões de metros cúbicos de gás e a Argélia de 4,5 trilhões de metros cúbicos.
A importação de gás de regiões longínquas pode ser uma alternativa para o Brasil suprir a demanda nacional nos próximos anos. De acordo com o presidente da Petrobras, o país continuará contando com o fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia, mas não fará no país vizinho os investimentos previstos, que garantiriam mais 15 milhões de metros cúbicos. Esse volume terá de vir de outras fontes.
A Bolívia anunciou neste ano a nacionalização da produção de gás no país, uma área na qual a petrolífera brasileira atua, o que vem causando no Brasil preocupação com o fornecimento.
Gás do Brasil
Outra alternativa para abastecer o mercado brasileiro de gás é investir na produção interna, o que a Petrobras já anunciou que fará. O projeto, porém, deve levar algum tempo – cerca de dois anos – para dar resultado. Hoje a capacidade brasileira de produção é de cerca de 32 milhões de metros cúbicos.
Conforme Gabrielli, a Petrobras pretende estar produzindo 110 milhões de metros cúbicos em 2010, o que inclui a produção na Bolívia de 30 milhões de metros cúbicos. A demanda, atualmente em 42 milhões de metros cúbicos, também deve subir para 99 milhões até 2010. Mesmo assim, o país ficaria com excedente de gás.
*Colaborou Marina Sarruf

