Riad – A próxima Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa) será realizada na Venezuela em 2018. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) durante a reunião de encerramento da quarta edição do encontro de chefes de estado e de governo, em Riad, na Arábia Saudita. O presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro, não perdeu tempo e saiu propondo novas iniciativas.
Com base em modelos de instituições idealizadas no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), porém, ainda não criadas, ele sugeriu a fundação de um banco de desenvolvimento birregional “que faça investimentos para o desenvolvimento econômico e tecnológico”.
Ele propôs também a criação de uma secretaria-geral permanente para “reforçar a preparação da cúpula e dar efetividade” às ações definidas pelos governantes dos 34 países. Por enquanto, cabe ao Brasil a coordenação sul-americana do trabalho de seguimento da Aspa, até a Unasul criar sua própria secretaria-geral.
“Há muito que podemos compartilhar e fazer como regiões irmãs”, destacou Maduro. “Estamos desde já com os corações e as portas abertas rumo a 2018”, afirmou.
O chanceler do Brasil, Mauro Vieira, disse à ANBA que “esses são todos temas que podem ser discutidos”. Ele liderou a delegação brasileira na Aspa em Riad. “São propostas venezuelanas que estamos abertos a discutir. Tudo que crie possibilidades de maior aproximação entre os países, de aumentar o comércio, é sempre bem vindo”, acrescentou.
Maduro falou também sobre temas discutidos nos dois últimos dias, como o compromisso dos países dos dois blocos com a Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030 e o repúdio ao terrorismo. “Devemos assumir o combate ao terrorismo como um dever de todos”, ressaltou.
Ele defendeu ainda o avanço de negociações de paz na Síria, Líbia e Iêmen, e, sobre a Palestina, disse: “Tenho como um sonho que na cúpula de 2018 tenhamos um estado palestino amplamente reconhecido [internacionalmente] e com um povo independente”.
Membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela tem feito gestões juntos aos grandes produtores árabes para reduzir as cotas de produção de entidade e, assim, tentar elevar os preços da commodity, pois o país sofre com a redução de receitas em função das baixas cotações. O Equador, cujo presidente, Rafael Correa, também participou da Aspa em Riad, tem interesse semelhante.


