Isaura Daniel, enviada especial
Novo Hamburgo – Os importadores árabes que participaram da Fimec, feira do setor de componentes de calçados que terminou no sábado (08) em Novo Hamburgo, voltaram para os seus países impressionados com o que viram. "Ficamos surpresos com a qualidade dos artigos brasileiros", disse o vice-presidente da Federação Nacional do Couro e Calçado da Tunísia (FNCC), Mustapha Abdelhedi. A Fimec apresentou 1,2 mil marcas de máquinas e matérias-primas para fabricação de couro e calçados.
Quatro empresários tunisianos e dois egípcios participaram da mostra como convidados da Assintecal, entidade que representa os fabricantes de componentes do Brasil. "Os produtos são de rara beleza", disse Abdelhedi a respeito dos componentes. Ele também elogiou a organização da feira que, segundo ele, apresenta produtos bem melhores do que a Feira Internacional de Bologna. A mostra, italiana, também apresenta componentes para calçados e couro.
Abdelhedi acredita que os negócios entre os empresários do setor de couro e calçados da Tunísia e do Brasil devem começar a partir da visita ao Brasil. O vice-presidente da Federação afirma que agora é hora de os brasileiros também irem à Tunísia para conhecer melhor o mercado e as fábricas locais. A Assintecal propôs à FNCC que seja feita uma missão ao país com a montagem de um showroom de componentes brasileiros.
A proposta é que a viagem seja feita no segundo semestre deste ano, logo após uma missão ao Egito. A Assintecal está organizando a participação de um grupo de empresas brasileiras, entre 30 e 40, em uma feira do setor que ocorrerá no Cairo, capital egípcia, no mês de setembro, de acordo com a superintendente da entidade, Ilse Guimarães. A superintendente ficou satisfeita com a participação dos empresários árabes na Fimec.
"Estamos criando uma relação para o futuro", disse Ilse a respeito da participação dos tunisianos na mostra. Segundo a superintendente, os tunisianos já compram componentes brasileiros, mas via tradings de outros países. A Assintecal recebeu empresários de oito países durante a feira. Um dia antes da Fimec, eles participaram de rodadas de negócios com fábricas nacionais, que devem render cerca de US$ 4 milhões, segundo estimativas da entidade. Os tunisianos e egípcios também participaram das rodadas de negócios.
Brasil ou China?
Ben Arab Mounir é um dos tunisianos que participou da Fimec como visitante. Mounir tem uma fábrica de calçados de segurança na Tunísia. Ele importa seus componentes da Itália, mas quer ter começar a trabalhar também com novos fornecedores. "Estou começando a comprar da Índia", afirma. Os calçados que a empresa de Mounir, a Look Export, fabrica são exportados para a Líbia. Ele vai avaliar a compra de produtos brasileiros e promete voltar ao país para continuar negociando.
Mounir também pretende começar a importar calçados para exportá-los para a Líbia, já que a Tunísia não paga taxas para vender ao outro país árabe. O empresário vai viajar para a China ainda neste mês e depois disso deve decidir se comprará calçados da China ou do Brasil.
A Fimec teve duração de quatro dias. A feira começou na última quarta-feira e terminou neste final de semana. Ela ocorreu no Parque de Exposições da Fenac, na cidade de Novo Hamburgo, no Vale do Rio dos Sinos. A região é um dos mais importantes pólos de fabricação de calçados e componentes do país.

