São Paulo – No primeiro semestre de 2005, quando o comércio anual entre o Brasil e os países árabes estava na casa de US$ 8,2 bilhões, o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, estabeleceu como meta que os negócios bilaterais chegariam a US$ 15 bilhões em três anos. Na mesma época, o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Amr Mussa, estimou que a corrente comercial dobraria em cinco anos. Passados pouco menos de quatro anos, o fluxo alcançou US$ 20,3 bilhões em 2008, um aumento de 148%.
“Se tivessem dado essa meta [do resultado de 2008] no início da nossa gestão, acharíamos inatingível”, disse ontem (15) o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., que comandou a entidade por dois mandatos nos últimos quatro anos e passa o cargo para seu sucessor até o final deste mês. “Foi um desafio, mas chegamos a um número bastante gratificante”, acrescentou.
Nesse período, houve uma intensa aproximação política do Brasil com os países árabes, com cada vez mais autoridades da região visitando o Brasil e vice-versa; uma ampliação do relacionamento cultural, com a Câmara apoiando diferentes iniciativas na área; e um forte aumento da visibilidade da economia brasileira no mundo árabe e das economias árabes no Brasil.
Na área de promoção das relações bilaterais, a Câmara Árabe teve um papel central. Ela organizou ou participou de mais de 200 eventos no Brasil e no exterior nos últimos quatro anos, número que inclui feiras de negócios, missões comerciais, seminários, palestras, rodadas de negócios, reuniões, recepção de autoridades, entre outras atividades.
A instituição também ampliou o número de acordos de cooperação que mantém com outros órgãos. Hoje ela é parceira, por exemplo, dos ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, das Relações Exteriores e do Turismo na organização de eventos no Brasil e lá fora.
Ao cabo desses quatro anos, e de muito trabalho por parte da entidade, as exportações brasileiras ao mundo árabe cresceram 143,3% e chegaram a US$ 9,8 bilhões em 2008. Já as importações aumentaram em 148% e atingiram 10,5 bilhões no ano passado.
Sarkis destacou que durante sua gestão houve um equilíbrio na balança comercial, que por dois anos pendeu para o lado brasileiro e, nos outros dois anos, para o lado árabe. “Isso mostra [um comportamento] do comércio próximo do desejável, onde a corrente comercial cresce e a balança se mantém próxima da estabilidade”, declarou.
Além dos números do comércio, o aumento da quantidade de consultas recebidas pela Câmara evidencia o fortalecimento das relações bilaterais. Os pedidos de informações comerciais pelo site da entidade (www.ccab.org.br) passou de 340 em 2006 para 730 em 2008, sendo que os países que apresentaram mais demandas foram Egito, Argélia, Síria, Jordânia e Líbia. Os produtos mais procurados foram alimentos, máquinas e equipamentos, peças de reposição e móveis.
“Os árabes passaram a prestar mais atenção no Brasil”, disse Sarkis. E não só no comércio, mas nas oportunidades de investimentos e no turismo. Ele citou como um fato marcante dos últimos quatro anos a inauguração do vôo diário entre Dubai e São Paulo, da Emirates Airline, que facilitou o trânsito de bens e pessoas e ajudou a impulsionar o relacionamento bilateral em diferentes áreas.
Sarkis comentou que é cada vez maior o interesse de investidores árabes no Brasil, especialmente nas áreas do agronegócio, energia e infra-estrutura. “O Brasil tem hoje um sistema financeiro reconhecidamente sólido e é importante trabalhar esse momento para que o país saia da crise melhor do que outras regiões do mundo”, afirmou.
Entre outros acontecimentos de peso que ocorreram durante o seu mandato, ele citou a primeira visita de Amr Mussa ao Brasil e à Câmara, em 2005; o fórum empresarial que ocorreu após a Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa) e reuniu cerca de 500 empresários, também em 2005; e a visita do rei da Jordânia, Abdullah II, ao Brasil em outubro do ano passado. “Foram eventos marcantes que ocorreram no início e no fim do mandato, sendo que a visita do rei deu um fechamento com chave de ouro”, disse.
E as atividades da Câmara continuam. No dia 24, representantes da entidade partem para o Norte da África numa delegação chefiada pelo ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento); em fevereiro ela volta à Gulfood, principal feira da indústria alimentícia do Oriente Médio, em Dubai; e no final de março estará presente como uma das organizadoras da conferência empresarial que antecede a 2ª Cúpula Aspa, em Doha, no Catar.

