São Paulo – As exportações da Randon, fabricante brasileira de implementos rodoviários, renderam US$ 138,4 milhões no primeiro semestre, um aumento de 37% sobre o mesmo período do ano passado, segundos dados divulgados ontem (06) pela empresa sediada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
Em entrevista à ANBA, o diretor corporativo e de relações com investidores do grupo, Astor Milton Schmitt, disse que a África e o Oriente Médio respondem por quase 25% das exportações. O continente africano absorve sozinho 20% das vendas externas e a empresa tem linhas de montagem na Argélia e no Marrocos em parceria com companhias locais.
“O Norte da África é muito importante para nós”, afirmou Schmitt. Outros mercados de peso no continente, segundo ele, são Quênia, Angola e Nigéria. África e América Latina lideram as importações de reboques e semi-reboques fabricados pela companhia.
O aumento das exportações da Randon superou o crescimento médio das exportações brasileiras no primeiro semestre, que ficou em 23,8%. Isso num momento em que o real tem se valorizado frente ao dólar, o que em tese torna as mercadorias do Brasil mais caras no exterior na moeda norte-americana.
“Uma taxa de câmbio que se desvaloriza rapidamente sem dúvida compromete a competitividade das empresas brasileiras, o que exige um esforço grande para se manter nesse cenário”, declarou o executivo. “Nós, particularmente, estamos nos saindo bem”, acrescentou.
De acordo com ele, as exportações da Randon têm crescido em média 33% ao ano nos últimos cinco anos, sendo que o aumento do primeiro semestre ficou acima desse patamar, Schmitt ressaltou que a empresa tomou uma série de medidas para contornar o problema do câmbio, como ampliar a importação de insumos, já que as mercadorias importadas estão mais baratas em real; tomar um volume maior de financiamentos externos; operar intensivamente com derivativos financeiros; otimizar os processos de produção, ter ganho de escala e assim diminuir os custos; e ajustar os preços dos produtos.
Nesse último item, o executivo lembra que a desvalorização do dólar é um fenômeno mundial, o que permite à empresa aumentar preços na moeda norte-americana sem que isso represente uma majoração mais pesada na moeda do mercado importador.
“Esse conjunto de ações nos permite ter por um lado um crescimento das exportações e por outro a manutenção ou melhora das margens”, destacou o executivo. No primeiro semestre, o EBITDA da empresa ficou em R$ 243,2 milhões, 16,7% de margem. EBITDA é a sigla em inglês para “lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”.
Nos seis primeiros meses de 2008, a Randon teve um faturamento de R$ 2,12 bilhões, um aumento de 25% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido obtido foi de 121,6 milhões, um crescimento de 45,8% na mesma comparação.
Além dos reboques e semi-reboques, a Randon produz vagões para trens, veículos especiais, autopeças, sistemas automotivos e fornece serviços.

