Alexandre Rocha
São Paulo – A divisão de implementos da Randon, fabricante brasileira de carretas rodoviárias, espera um crescimento de 35% nas vendas aos países árabes até o final do ano. Já no primeiro semestre, as exportações para a região foram um dos fatores que alavancaram o aumento de 5,4% na receita líquida do grupo, que chegou a R$ 1,03 bilhão.
"Nós trabalhamos em quase todos os países do Oriente Médio e Norte da África e eles absorvem 12% de nossas exportações de implementos", disse à ANBA o diretor-executivo da divisão, Norberto Fabris. O grupo Randon é composto por sete empresas. A divisão de implementos, que exportou US$ 81 milhões no primeiro semestre, é responsável pela fabricação de reboques e semi-reboques, vagões ferroviários e silos. As outras atuam com autopeças, veículos e consórcios.
No mundo árabe, a Randon tem duas linhas de montagem, uma no Marrocos e outra na Argélia, em parceria com empresas locais, e uma unidade comercial em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Parte dos produtos vendidos na região sai das plantas no Norte da África e parte do Brasil.
A presença física nos países árabes pode ser ampliada. "Existe a possibilidade de virmos a ter linhas de montagem em outros países. Sempre que houver alguma vantagem competitiva, nós teremos interesse.", afirmou Fabris. Os principais produtos vendidos para lá são carretas para cargas secas, como tanques, basculantes e os semi-reboques "carrega-tudo", destinados ao transporte de máquinas e veículos.
Apesar da desvalorização do dólar frente ao real, que torna os produtos brasileiros mais caros no exterior, a Randon tem conseguido ampliar suas vendas externas até acima do previsto. Em junho, o diretor corporativo da empresa, Astor Milton Schmitt, disse que as exportações gerais do grupo deveriam aumentar 11% neste ano e chegar a US$ 190 milhões. Ontem (11) Fabris afirmou que as receitas com os embarques devem chegar a US$ 200 milhões, número que, se confirmado, vai representar um crescimento de 17,2% em comparação com o ano passado.
No primeiro semestre o desempenho das vendas externas foi até mais forte. As exportações gerais do grupo renderam US$ 100,5 milhões, um aumento de 30% em relação aos primeiros seis meses de 2005. Na divisão de implementos, os embarques somaram US$ 81 milhões, 48% a mais do que no mesmo período do ano passado.
"O momento não está muito bom para as exportações, por causa do câmbio, mas mesmo assim estamos crescendo bastante nesta área", declarou Fabris. Para que seus produtos continuassem com preços competitivos no mercado exterior, a Randon, segundo o executivo, diminuiu sua margem de lucro e reduziu custos, por meio da otimização dos processos produtivos e de negociações com os fornecedores de insumo. "Reduzimos custos sem mexer no quadro de pessoal", garantiu. O grupo emprega 7,3 mil pessoas, sendo 3 mil só na divisão de implementos.
Longo prazo
O mercado externo faz parte da estratégia da empresa e ela pretende fazer com que as exportações cheguem a 25% do faturamento. Hoje elas respondem por algo entre 18% e 20%. "Estamos trabalhando com um horizonte de longo prazo. Vender implementos rodoviários é como vender caminhões, é preciso oferecer não só produto, mas também uma rede de fornecimento de peças de reposição e de assistência técnica", disse Fabris.
Os principais mercados da empresa no exterior são, nesta ordem, a América do Sul, África, incluindo a região norte e, dividindo a terceira posição, o Oriente Médio e a América Central. A companhia tem também uma linha de montagem no Quênia.
Até o final do ano, de acordo com o executivo, a produção de carretas deverá chegar a 15 mil unidades, sendo 4,1 mil destinadas à exportação. No mercado interno, a companhia passou a vender produtos de maior valor agregado, o que também contribuiu para o aumento da receita líquida.

