São Paulo – O grupo Randon teve, de janeiro a junho deste ano, o pior semestre desta década, de acordo com declaração feita pelo diretor de Relações com Investidores da companhia, Astor Milton Schmitt, na divulgação dos resultados da empresa nesta quinta-feira (09). A Randon amargou queda de 20% na receita bruta total e de 91% no lucro líquido consolidado. Apesar da crise internacional, as exportações foram a área de melhor desempenho na empresa, com avanço de 10,7% na receita em reais e recuo de 3,7% em dólares.
A Randon controla dez empresas das áreas de veículos e implementos, autopeças e serviços financeiros, e tem negócios com o mundo árabe. “A companhia continua confiante de que seus mercados internacionais tradicionais – Nafta, América do Sul e Central, e África – permaneçam aquecidos e devem continuar mostrando um desempenho mais resistente que o mercado doméstico”, disse a empresa em seu relatório. No mundo árabe, a Randon tem montagem de CKD na Argélia e escritório da Fras-le nos Emirados Árabes Unidos.
A receita com exportações ficou em R$ 235,4 milhões de janeiro e junho, o que representou US$ 125,3 milhões. “No mercado externo, as vendas seguirão continuadamente boas, como já ocorreu no primeiro semestre”, disse Schmitt sobre o semestre que começou. No segundo trimestre, houve crescimento de 21,8% em reais nas exportações, para R$ 139,2 milhões, e estabilidade em dólares, com US$ 71,1 milhões. Do total das vendas, 37% foi para Nafta, 33% para Mercosul e Chile, 11% para África, 10% para América do Sul e Central e 2% para Europa.
A receita bruta total da Randon ficou em R$ 2,49 bilhões no primeiro semestre e o lucro líquido consolidado em R$ 14 milhões. As vendas no mercado doméstico caíram 22,5% para R$ 2,2 bilhões, o lucro bruto consolidado recuou 35,2% para R$ 343 milhões, a margem bruta diminuiu 4,6 pontos percentuais para 21,2% e a margem líquida 6,7 pontos percentuais para 0,9%. O Ebitda consolidado caiu 57,6% e ficou em R$ 133,6 milhões, com margem de 15,4%, com 7,1 pontos percentuais a menos.
A baixa demanda e a não produção de vagões ferroviários estiveram entre os principais fatores para a queda no desempenho da empresa, o que gerou ociosidade fabril, impactando a produtividade, reduzindo escala e prejudicando diluição de custos fixos, segundo a Randon. “Em resposta a esses movimentos de mercado, a companhia fez paradas programadas no segmento de veículos rebocados, suprimiu turnos em algumas das suas empresas do segmento de autopeças e adequou a disposição da mão de obra”, comunicou a Randon.
No caso da área de semirreboques a empresa esteve com o seu estoque alto em função de mudanças nos sistemas de financiamento para “melhor” pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Isso fez, no entanto, alguns clientes retardarem as compras na espera destas condições melhores, o que elevou os estoques. Até o final do ano, porém, esse nível será reduzido, prometeu a companhia.
A Randon, aliás, estima melhorias nos negócios no segundo semestre. “Sim, tivemos o pior semestre da década, isso nos causou enormes sacrifícios, mas percebemos claramente que o pior já passou”, afirmou Schmitt. Segundo ele, julho já deu sinais de melhora e o segundo semestre deve ser bem melhor. “Começamos 2012 com o pé no freio, mas iniciaremos 2013 com o pé no acelerador”, afirmou o diretor de RI. Ele afirma que já se percebe reaquecimento da demanda puxada pela melhora da economia e perspectivas de avanço no agronegócio, com estimativas de uma safra melhor. “Isso já começou a acontecer”, disse.

