São Paulo – Uma série de ilhas giratórias flutuantes poderá fornecer energia ao emirado de Ras Al Khaimah. O projeto prevê a instalação de painéis solares que absorvem o calor e aquecem tanques submersos no mar gerando vapor, que, por meio de dutos, vai mover turbinas no continente. A informação é do jornal The National, de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
O conceito de ilha solar foi criado há cinco anos pela companhia CSEM-UAE, uma joint-venture entre o governo do emirado e o centro de pesquisas La Centre Suisse d’Electronique et de Microtechnique (CSEM), na Suíça. "É o maior mecanismo de precisão que a tecnologia suíça já produziu", diz o CEO da CSEM-UAE, Hamid Kayal, de acordo com o The National.
Um protótipo está em fase de testes e, segundo o executivo, deve dar resultados em cerca de dois anos. A "ilha" que está sendo testada tem diâmetro de 88 metros e capacidade para gerar até 1 megawatt (MW) de energia térmica, suficiente para refrigerar ou aquecer um shopping center de pequeno porte. Ilhas maiores, com diâmetro entre 500 metros a 5 quilômetros, teriam capacidade de geração de um décimo de megawatt a vários gigawatts (GW) de energia térmica.
"A tecnologia básica é conhecida e funciona", afirma Kayal. "A questão não é a tecnologia em si, e como sim utilizá-la de forma confiável e eficaz", destaca. "O protótipo não serve para mostrar que somos capazes de produzir eletricidade, e sim para mostrar qual a economia que podemos gerar, qual o tamanho que essas ilhas devem ter e onde seriam instaladas", explica o CEO.
De acordo com o CEO da CSEM-UAE, a prioridade é "testar o funcionamento mecânico da ilha"; só então, segundo ele, será possível tirar conclusões sobre o tamanho e a questão econômica. "O objetivo desse estudo é verificar se é possível concorrer, em termos de custo, com a energia elétrica fornecida hoje nos Emirados, e que tamanho as ilhas teriam que ter para isso", afirma Kayal.
No primeiro teste realizado, a plataforma de captação de energia solar, que pesa 250 toneladas, foi erguida usando uma quantidade de energia equivalente à necessária para ligar quatro secadores de cabelos. Um segundo teste mediu a rotação da plataforma. No mês passado, um teste com duas semanas de duração mediu a precisão da ilha em detectar a localização do sol.
A próxima etapa será otimizar a estrutura dos coletores de radiação solar na plataforma e testar sua estabilidade e confiabilidade em condições naturais de vento e sujeira. A etapa final será criar uma estrutura térmica rentável, que converta de forma eficiente a energia térmica em energia elétrica.
As estruturas podem ficar em terra firme ou no mar. Ilhas de maior porte podem funcionar em rede; já as de tamanho menor deverão se adaptar melhor a aplicações industriais. "Precisamos de uma estrutura que não consuma a própria energia que gera", diz Kayal. "Estamos analisando se existe um mercado para isso", continua o CEO. Caso o protótipo seja bem-sucedido, a CSEM-UAE deverá construir uma ilha com 500 metros de diâmetro.
O projeto será financiado pelo governo do emirado de Ras Al Khaimah, com base em objetivos a serem atingidos de seis em seis meses. "O governo do emirado espera resultados rápidos", afirmou Kayal. O protótipo também será usado em pesquisas para outras aplicações, como refrigeração de bairros inteiros e dessalinização de água.
A CSEM-UAE está trabalhando em colaboração com o Royal Institution of Technology, da Suécia, e com institutos de pesquisa na Suíça e em Dubai.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

