Ras Al Khaimah – Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, aposta na industrialização para se desenvolver. Para tanto, o governo local oferece uma série de incentivos para atrair empresas estrangeiras. “Queremos que as pessoas venham para cá para ter lucros, não prejuízos”, disse nesta quarta-feira (24) o CEO da RAK Investment Authority (Rakia), a agência de promoção de investimentos do emirado, Khater Massaad.
Massaad fez uma palestra sobre as oportunidades em Ras Al Khaimah para uma delegação da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) que está nos Emirados em missão comercial. De acordo com ele, desde que a Rakia foi criada, há cinco anos, 7,3 mil empresas foram abertas e foram realizados US$ 3 bilhões em investimentos industriais. As companhias são de diferentes origens e setores.
O carro chefe do processo de industrialização local é a RAK Ceramics, fábrica de revestimentos cerâmicos que exporta 86% de sua produção para 140 países. “Gostamos disso, de empresas que exportam para todo o mundo”, declarou Massaad.
Nesse sentido, o mercado interno não é o foco principal. O emirado conta com dois parques industriais com zonas francas, onde é possível obter isenção de vários impostos, além da infraestrutura e logística necessárias para o funcionamento de um negócio. Ras Al Khaimah, segundo Massaad, se inspirou nos modelos de Cingapura e Hong Kong e oferece como diferencial acesso fácil e barato, por mar ou ar, à Europa, Ásia e África.
O executivo destacou que a economia do emirado cresceu em média 14% ao ano entre 2004 e 2008, e 9% em 2009, principalmente por causa da indústria. Inicialmente os segmentos mais fortes eram os de cerâmica, cimento e farmacêuticos, mas agora o parque está mais diversificado e há até uma montadora de ônibus.
Massaad destacou, por exemplo, que uma empresa como a Embraer, fabricante brasileira de aviões, poderia se beneficiar do baixo custo dos terrenos e dos aluguéis, e até de empréstimos a juros baixos, para abrir um armazém em Ras Al Khaimah. No ano passado, a companhia manifestou o interesse de ter um entreposto de peças de reposição no Oriente Médio.
Ele ressaltou ainda a facilidade de se abrir um negócio por meio da Rakia. “Você preenche alguns formulários de manhã, recebe sua licença ao meio dia, às 14 horas nós mostramos o terreno e no dia seguinte, às 08 horas, você pode começar a construir”, declarou.
A delegação, que inclui o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, e representantes do Sebrae de Mato Grosso, foi recebida também pelo príncipe-herdeiro de Ras Al Khaimah, Mohammed Bin Saud Al Qasimi.
Bem humorado, o jovem príncipe, filho do emir Saud Bin Saqr Al Qasimi, disse que o governo local quer promover o emirado e ressaltou que o mundo todo está de olho em países como o Brasil. “É uma grande nação que está prosperando após a crise [financeira internacional]”, destacou.
Qasimi acrescentou que o governo do emirado está à disposição para auxiliar empresas brasileiras a se estabelecer no local. “Na sigla BRIC o Brasil é a primeira letra, e é nisso que queremos focar”, disse, referindo-se ao grupo de grandes países emergentes formados por Brasil, Rússia, Índia e China.

