São Paulo – A Zona Franca de Ras Al Khaimah (RAK FTZ), nos Emirados Árabes Unidos, quer atrair mais empresas brasileiras para se instalarem lá. Atualmente, a zona franca do terceiro maior emirado do país já conta com 25 empresas do Brasil. O principal diferencial da RAK FTZ é o baixo custo para instalação das empresas, o que permite que companhias de pequeno e médio porte possam abrir uma unidade no emirado.
“O que temos de diferente de outras zonas francas, particularmente com a zona franca de Jebel Ali (em Dubai), é que oferecemos pacotes que são voltados para empresas menores. Nosso pacote mais simples custa US$ 5 mil por ano, enquanto a zona franca de Jebel Ali foca em empresas muito grandes”, explicou Peter Fort, CEO da RAK FTZ, em evento promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, nesta quarta-feira (29), em São Paulo. O seminário teve como objetivo mostrar às empresas nacionais as vantagens de se instalar na RAK FTZ.
Uma delegação da zona franca foi recebida por Michel Alaby, CEO da entidade, e por Saleh Ahmed Alsuwaidi, cônsul-geral dos Emirados Árabes Unidos em São Paulo.
“Os preços que cobramos são substancialmente menores em relação às outras zonas francas para todos os produtos, incluindo o que oferecemos para as empresas grandes em termos de escritórios, armazéns e terras. Isso permite às empresas reduzirem suas bases de custo e gerar mais lucro”, destacou Fort.
De acordo com o CEO da RAK FTZ, o pacote de US$ 5 mil anuais inclui a licença para operar no país, registro da empresa, acesso às instalações da zona franca, como centro de negócios compartilhado, com o uso de computadores e impressoras, endereço de e-mail, número de telefone e fax, entre outras coisas. O pacote também possibilita ter um visto de residência para uma pessoa, válido por três anos.
Em sua apresentação, Fort também falou sobre a infraestrutura oferecida por Ras Al Khaimah, como os cinco portos do emirado que, juntos, movimentam 50 milhões de toneladas de produtos anualmente para todas as partes do mundo.
O executivo lembrou ainda que, como nas demais zonas francas dos Emirados, a empresa que estiver na RAK FTZ pode ter 100% de propriedade estrangeira, enquanto fora das zonas francas é preciso ter um sócio local, cuja propriedade será de, pelo menos, 51% do negócio. As companhias instaladas na RAK FTZ também são livres de impostos.
Ralf Degenhart, diretor de Desenvolvimento de Negócios da RAK FTZ, ressaltou a liberdade que as empresas ali instaladas têm de ter trabalhadores de qualquer nacionalidade. “Não temos restrições para trabalhadores entrarem no país. Quando você estabelece seu negócio, pode trazer funcionários de qualquer lugar do mundo”, disse.
O diretor falou ainda sobre a rapidez e facilidade para se abrir um negócio na zona franca. “Você pode começar seu negócio em poucas semanas”, afirmou. Ele explicou que as empresas também contam com um escritório de suporte, disponível para ajudar em atividades como aluguel de caminhões e carros até a indicação de como fazer a publicidade dos produtos, entre outras necessidades.
A Zona Franca de Ras Al Khaimah não é especializada em um determinado setor, estando aberta a empresas de ramos variados. Atualmente, a RAK FTZ conta com quase oito mil empresas instaladas ali. Nos Emirados, o número de companhias em zonas francas é de cerca de 12 mil.
De acordo com Fort, as principais oportunidades para companhias brasileiras são para aquelas produtoras de alimentos, principal item da pauta de exportação do Brasil para o Oriente Médio, além de cosméticos, autopeças e maquinários. As empresas brasileiras que já estão na zona franca são pequenas e médias, principalmente tradings e de serviços.
A delegação da RAK FTZ chegou ao Brasil na segunda-feira (27) e teve compromissos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eles tiveram encontros na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e Laboratoriais (Abimo), Federação das Indústrias do Estado De São Paulo (Fiesp), Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Associação Comercial e Empresarial de Osasco e com a Prefeitura de São Paulo.
Segundo o CEO da RAK FTZ, as reuniões serviram para que eles pudessem mostrar as vantagens e oportunidades oferecidas pela zona franca aos empresários daquelas associações. Ainda nesta quarta-feira, a delegação segue para a Argentina.
Expansão
Laura Caruso, diretora da Marco Polo Imports, trading com sede em São Paulo, conta que há cinco anos sua empresa está instalada no emirado de Ras Al Khaimah, importando produtos brasileiros para os Emirados Árabes e outros países do Golfo.
O negócio principal, conta, é a importação de alimentos e produtos agro veterinários. “Tendo representação fisicamente lá, a possibilidade de fazer negócios é muito maior. Eu fico metade do ano naquela região, fazendo trabalho comercial e de marketing para as empresas que querem vender seus produtos e serviços”, explica.
Ela afirma que participou do evento porque tem intenção de expandir suas atividades no emirado. Seu interesse, ela diz, é auxiliar empresas brasileiras que queiram fabricar seus produtos em Ras Al Khaimah. “Isso é uma grande diferença para entrar no mercado local. O custo sai bem mais em conta”, avalia.


