São Paulo – Muito dependente das receitas obtidas com mineração, a Mauritânia foi afetada pela queda nas cotações das commodities do setor em 2015. A conclusão é do Fundo Monetário Internacional (FMI) e foi divulgada na noite de segunda-feira (22) após uma delegação da instituição se reunir com as autoridades locais na capital do país do Norte da África, Nouakchott. A equipe realizou o trabalho no país desde o dia 08 até a segunda-feira.
Na avaliação da chefe da delegação, Vera Martin, a Mauritânia sofreu uma forte queda de receita no ano passado porque os preços do minério de ferro e de outros produtos minerais caíram, e, por consequência, o faturamento com a exploração e exportação do produto. Mesmo assim, ela observou que as autoridades conseguiram reduzir os impactos da queda de arrecadação ao utilizar as reservas financeiras acumuladas nos anos anteriores, ao controlar os gastos públicos e permitir uma taxa de câmbio mais flexível.
As medidas, no entanto, não foram suficientes para evitar efeitos negativos sobre a economia do país. O Produto Interno Bruto (PIB), que havia crescido 6,6% em 2014, teve expansão de 2% no ano passado, conforme as estimativas do Fundo. A expectativa da instituição é que neste ano o PIB a Mauritânia cresça 4,2%, ainda suportado por uma recuperação do setor de mineração.
A produção total do país não foi a única a sentir os efeitos da queda de arrecadação, na avaliação do Fundo. A dívida pública atingiu 93% do PIB e o déficit externo em conta corrente cresceu. Ainda com grande liquidez, o sistema bancário se enfraqueceu e está mais vulnerável a crises, afirma o documento do FMI.
A solução de médio e longo prazo apresentada pelo Fundo é diversificar a economia, promover o crescimento inclusivo e sanear as contas externas. “A Mauritânia pode alcanças suas metas de médio prazo tornando-se mais próspera, diversificada e menos dependente de ciclos de commodities devido às incertezas no ambiente econômico global. Aperfeiçoar a formulação de políticas econômicas, transparência e governança irá reduzir as incertezas, ajudará a fundamentar as expectativas e vai ampliar a credibilidade das políticas macroeconômicas”, afirmou Vera no comunicado divulgado pelo Fundo.


