Da redação
São Paulo – As receitas das exportações brasileiras para os países árabes cresceram mais de 56% no primeiro trimestre de 2004, em comparação com o mesmo período do ano passado. No total foi embarcado o equivalente em mercadorias a US$ 892,2 milhões, contra os US$ 571 milhões registrados nos primeiros três meses de 2003, conforme informações da Câmara de Comércio Árabe- Brasileira (CCAB).
As vendas aumentaram para quase todos os países da região, à exceção dos Emirados Árabes Unidos e do Iraque. O destaque continua a ser o Egito, que desde o início do ano passou a ser o principal destino das mercadorias brasileiras entre os árabes.
No total, as exportações para o país do Norte da África somaram o equivalente a US$ 170 milhões no primeiro trimestre, ante US$ 74,2 milhões registrados no mesmo período de 2003, um aumento de mais de 129%.
Lula
E o Egito é um dos países que foi visitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2003. De lá para cá aumentaram principalmente os embarques de carne bovina e açúcar. No primeiro caso, os valores saltaram de US$ 24 milhões no primeiro trimestre de 2003 para US$ 55,7 milhões nos primeiros três meses deste ano. O Egito passou a ser no início do ano o maior importador de carne bovina brasileira in natura. As compras de açúcar passaram de US$ 4,4 milhões para US$ 23,2 milhões.
À exceção dos Emirados, os outros países que Lula visitou também aumentaram as compras de produtos brasileiros no período. A Síria apresentou o maior crescimento em termos percentuais. De janeiro a março de 2003 ela importou o equivalente a US$ 5,5 milhões do Brasil. Este ano, até março, as importações já somaram US$ 41,6 milhões. O primeiro item da pauta passou a ser o açúcar (US$ 21 milhões), que sequer constava entre os principais 20 itens no início do ano passado.
No caso da Líbia, as importações de produtos brasileiros passaram de US$ 9,6 milhões para US$ 16,9 milhões, tendo o minério de ferro como principal produto da pauta. Já no Líbano as compras aumentaram de US$ 12 milhões para US$ 17,7 milhões no período.
Trigo
Ocorreram aumentos expressivos nas vendas também para a Argélia, Marrocos e Tunísia, respectivamente, de US$ 25,2 milhões para US$ 63 milhões, de US$ 48,3 milhões para 95,9 milhões e de US$ 8,3 milhões para US$ 30,1 milhões. O principal item da pauta nos três casos passou a ser o trigo, produto que o Brasil começou a exportar apenas no final do ano passado. No total, o cereal representou US$ 25,5 milhões nas vendas para Argélia no primeiro trimestre, US$ 37,6 milhões nos embarques para o Marrocos e US$ 10,9 milhões nas exportações para a Tunísia.
Um dos motivos para o aumento das exportações para os árabes é justamente a diversificação da pauta, conforme já disse anteriormente à ANBA o presidente da CCAB, Paulo Sérgio Atallah.
Atrás do Egito na lista dos maiores compradores de produtos brasileiros aparece a Arábia Saudita, tradicional parceira comercial do Brasil na região. As vendas para lá somaram US$ 159,6 milhões, contra US$ 140,3 milhões nos três primeiros meses de 2003.
Os Emirados estão em terceiro lugar, com compras de US$ 151,3 milhões, uma pequena queda em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando o valor foi de US$ 156,2 milhões. A grande diminuição ocorreu nos embarques de petróleo para lá (sim o Brasil exporta petróleo para os árabes), de US$ 94 milhões para US$ 24,7 milhões.
Veja abaixo os desempenho das exportações para os demais países árabes no trimestre:
Bahrein: de US$ 17,9 milhões para US$ 26,4 milhões
Catar: de US$ 7,1 milhões para US$ 12,6 milhões
Ilhas Comores: de US$ 0,00 para US$ 286,3 mil
Kuwait: de US$ 16,7 milhões para US$ 33,3 milhões
Djibuti: de US$ 170,4 mil para US$ 299,1 mil
Iemen: de US$ 14,9 milhões para US$ 29,7 milhões
Iraque: de US$ 15,4 milhões para US$ 10,4 milhões
Jordânia: de US$ 5,9 milhões para US$ 13,1 milhões
Mauritânia: de US$ 3,4 milhões para US$ 5,4 milhões
Omã: de US$ 7,1 milhões para US$ 8,9 milhões
Somália: de US$ 831,2 mil para US$ 3,7 milhões
Sudão: de US$ 1,278 milhão para US$ 1,298 milhão

