São Paulo – No próximo ano deve entrar em operação um esforço nacional da área de pesquisa para fortalecer o Brasil no ramo de fertilizantes. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai colocar em pé uma rede, chamada FertBrasil, formada pela instituição, juntamente com outros organismos de pesquisa e a iniciativa privada, para encontrar soluções tecnológicas para a produção e consumo de fertilizantes no país.
O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de grãos e importa cerca de 70% dos fertilizantes usados em suas lavouras. No ano passado, por exemplo, a escassez do produto no mercado mundial e alta dos preços trouxe problemas para a agricultura nacional.
Por isso mesmo, a pesquisa resolveu fazer a sua parte. A rede FertBrasil já foi criada, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Embrapa, e entra em andamento em 2010, segundo o coordenador do programa e pesquisador da Embrapa Solos, Vinicius Benites.
A rede atuará em várias frentes. Num primeiro momento deverá funcionar como uma fábrica de tecnologia, gerando novas soluções para o setor. Essas tecnologias serão avaliadas em campo, durante três safras, e também do ponto de vista do impacto ambiental. Depois disso, as tecnologias serão transferidas para a indústria.
No projeto, explica Benites, serão investidos R$ 3 milhões por parte da Embrapa em três anos. São recursos do PAC. Será buscado mais dinheiro junto aos fundos de incentivo à pesquisa e empresas privadas. A ideia é que as próprias parceiras do projeto invistam para depois utilizarem as tecnologias.
Já há, de acordo com o pesquisador da Embrapa Solos, 18 associadas ao projeto, entre elas Bunge, Mosaic, Petrobras e Instituto Internacional do Potássio. O projeto tem apoio da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos (Abisolo).
A fase da pesquisa propriamente dita vai trabalhar em vários ramos. Um deles será a identificação de fertilizantes alternativos, como os feitos a partir de resíduos orgânicos e industriais. Também serão buscadas tecnologias para melhorar a qualidade dos fertilizantes que já existem, para que possam, por exemplo, ser melhor absorvidos pelas plantas e reduzir as perdas. Em um terceiro movimento serão buscadas e transferidas técnicas para o uso eficientes dos fertilizantes pelo homem do campo. Nesse caso estão inclusas as melhores épocas e formas para aplicação do produto.
Apesar da coordenação de Benites, da Embrapa Solos, 14 unidades da instituição estão envolvidas no projeto. Para cada tecnologia estudada – já há 22 previstas – há um tutor, da área de pesquisa, e pelo menos uma empresa interessada no uso. A parceria com a iniciativa privada foi feita justamente para que as pesquisas gerem de fato resultados.
De acordo com o coordenador da FertBrasil, a meta é colocar produtos no mercado em 2013, quarto ano do projeto, e gerar, naquele ano, R$ 800 milhões. Esse valor deverá vir, segundo Benites, tanto da venda dos produtos quanto da economia que eles vão gerar.

