Alexandre Rocha, enviado especial
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Riad – O grupo Panda, maior cadeia de supermercados e hipermercados da Arábia Saudita, quer ampliar sua rede de fornecedores para garantir suas metas de crescimento para os próximos dois anos. O gerente de operações da empresa, Cobus Lombard, disse ontem (26) que a companhia busca aumentar a oferta de uma série de produtos alimentícios, muitos deles tradicionalmente exportados pelo Brasil.
"Temos grande preocupação com nossa cadeia de crescimento, pois ela tem que acompanhar na mesma velocidade nossas metas de crescimento", afirmou Lombard a representantes da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e do Ministério da Agricultura do Brasil que visitaram lojas da marca ontem, em Riad. "Podemos trabalhar juntos para ver o que podemos trazer, queremos ter produtos exclusivos no mercado", acrescentou.
Segundo ele, a Panda tem hoje 53 supermercados e 10 hipermercados na Arábia Saudita e acaba de comprar uma outra rede, a Giant, que possui mais 17 pontos-de-venda, o que dá um total de 80 unidades. Até 2010 o grupo quer ter 100 supermercados, 35 hipermercados e dobrar seu faturamento. Hoje a Panda fatura cerca de 3,6 bilhões de riais sauditas por ano, o que dá cerca de US$ 1 bilhão, e a cadeia Giant tem receitas anuais de 1,2 bilhão de riais. "O que dá quase 5 bilhões de riais, mas queremos chegar a 10 bilhões em 2010", disse o executivo.
Hoje toda a carne bovina que a empresa comercializa, cerca de nove toneladas por dia, vem do Brasil. "E podemos dobrar esse número também", afirmou Lombard. O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, ressaltou que, como um dos maiores produtores mundiais de produtos agropecuários, o Brasil pode fornecer muito mais itens para o mercado saudita.
Lombard afirmou que a empresa tem interesse em aumentar as importações de diversos produtos, como café, suco de laranja e lácteos, inclusive para comercialização com a marca própria da rede. Porto ressaltou que, embora várias empresas brasileiras façam muitos negócios no mercado externo, é importante promover a aproximação também de outras companhias com potenciais compradores.
Festival brasileiro
Neste sentido, o secretário sugeriu que o grupo envie representantes ao Brasil para conhecer a produção local e as oportunidades de negócios. O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, propôs a realização de um festival de produtos brasileiros em lojas da rede como forma de promover as mercadorias e verificar a aceitação dos consumidores.
A idéia foi muito bem recebida por Lombard e ontem à tarde mesmo ele, Porto, Alaby, mais o vice-presidente de Marketing da Câmara Árabe, Rubens Hannun, o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio Marques, e o coordenador de inteligência de mercados da Câmara, Rodrigo Solano, começaram a discutir alguns detalhes para colocar o plano em andamento.
A variedade de produtos disponíveis nas prateleiras da Panda é enorme, como ocorre em outros países árabes. Existem mercadorias para todos os gostos e de várias origens, como queijos europeus, azeite de oliva da Síria e da Jordânia, uvas chilenas, maçãs egípcias, arroz indiano e itens locais como carne de carneiro e camelo e tâmaras. Existem corredores inteiros com todos os tipos de sucos de frutas, arroz de diferentes variedades e doces, muitos doces.
Durante a visita às lojas, Lombard foi falando de mais produtos com grande potencial de ampliação do consumo, como embutidos, alimentos congelados, frango, frutas, requeijão e leite em pó. Muitos itens são vendidos a granel ou em embalagens tamanho família, como é o caso do leite em pó. "O consumo de leite em pó aqui é enorme", afirmou. Ele ressaltou que mais da metade da população saudita é menor de 21 anos, o que o faz acreditar em um crescimento expressivo da demanda pelos mais diferentes alimentos.
A carne bovina dos frigoríficos Minerva e Bertim está lá nos balcões frigoríficos das lojas, devidamente identificada como "Brazilian beef", mas a rede comercializa também carne industrializada de diferentes marcas do Brasil, além de frangos e derivados da Perdigão e da Sadia, duas companhias já com grande penetração na região.
Para Lombard, o festival deve começar a ser preparado com pelo menos quatro meses de antecedência e, segundo ele, a armazenagem não é problema, pois a empresa tem "o maior e mais moderno" centro de estocagem da região, com 75 mil metros quadrados. A Panda existe há 23 anos e emprega cerca de nove mil pessoas.

