São Paulo – A economia palestina enfrenta riscos crescentes, com especial queda no Produto Interno Bruto (PIB) da Cisjordânia. É o que afirma um relatório sobre a região divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O levantamento aponta que a Cisjordânia registrou forte crescimento econômico entre 2008 e 2010, graças à flexibilização das barreiras de Israel e à ajuda internacional. Em 2011, porém, a perda de receita proveniente das doações fez o PIB crescer menos: de 8% em 2010 para 4% até a metade de 2011. A taxa de desemprego lá é de 16% desde a metade de 2010.
“A queda [na atividade econômica] se deve à retração continuada, declínio da ajuda externa (especialmente de doadores regionais) e consequente crise de liquidez, assim como a redução das flexibilizações de Israel que existiram no ano passado”, afirma o relatório. De acordo com a Autoridade Monetária Palestina, o PIB da região é de US$ 5,6 bilhões.
Enquanto a Cisjordânia sofre redução da atividade econômica, o FMI observa que houve uma pequena melhora nos indicadores da Faixa de Gaza, que é economicamente menos desenvolvida do que o outro território avaliado pelo FMI. O levantamento mostra um crescimento do PIB de aproximadamente 28% na Faixa de Gaza até a metade deste ano. Isso foi possível, na avaliação dos economistas do FMI, porque desde a metade de 2010 algumas restrições à importação de produtos foram flexibilizadas. A taxa de desemprego caiu de 37% em 2010 para 28% até a metade deste ano.
O FMI faz recomendações ao controle da economia palestina. Uma delas sugere que os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia sejam menos dependentes de ajuda externa. Segundo o fundo, até o fim de agosto deste ano, haviam sido desembolsados US$ 400 milhões em doações externas para a Palestina. Até o fim de agosto de 2010, US$ 700 milhões haviam sido doados.
O FMI recomenda que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) aplique um amplo corte de despesas e que priorize os gastos, com o congelamento e a transferência de projetos que não sejam prioritários. A instituição aconselha que a ANP faça esforços para aumentar a arrecadação de impostos. “Projetos para a comunidade e de desenvolvimento só deverão ser implementados se houver fundos provenientes de doações”, afirma o FMI. A instituição lembra, contudo, que o desempenho econômico dos territórios palestinos depende diretamente das restrições e barreiras impostas por Israel.
O FMI faz as recomendações sobre as diretrizes econômicas que a Autoridade Palestina deve adotar porque desde abril considera que o órgão tem autonomia e capacidade de conduzir as políticas econômicas de um futuro estado Palestino.
Este relatório, chamado “Experiência recente e prospecto para a economia da Cisjordânia e da Faixa de Gaza” é divulgado dias antes da ANP apresentar pedido de reconhecimento do Estado Palestino às Nações Unidas. A votação será feita, primeiro, no Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos ameaçam vetar o requerimento. A criação do Estado Palestino poderá também ser submetida à Assembleia Geral, que será aberta pela presidente brasileira, Dilma Rousseff.
O Brasil reconheceu o Estado Palestino no ano passado, ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e logo foi seguido por outros países latino-americanos. Dilma fará o discurso de abertura da Assembleia na próxima quarta-feira (21).

