Da redação*
São Paulo – Começou a fase de operação da maior refinaria de açúcar da Síria, com capacidade para produzir mil toneladas diárias e perspectivas de triplicar esse total nos três próximos meses. A notícia foi publicada ontem (18) no site da TV Aljazeera na internet. Em fevereiro de 2007 a ANBA antecipou que os testes de produção começariam no final do ano passado e a operação comercial no início deste.
A indústria, localizada na região de Homs, tem participação da empresa brasileira Crystalsev, da multinacional Cargill e do empresário sírio Najib Assaf, que é o sócio majoritário. De acordo com o site da Aljazeera, Assaf disse que o açúcar bruto utilizado como matéria-prima na usina é procedente do Brasil.
O empresário acrescentou, segundo o site, que o mercado sírio está absorvendo toda a produção, mas o objetivo é vender também para Jordânia e Líbano quando a refinaria atingir sua capacidade produtiva máxima. A capacidade de armazenamento da fábrica é de 270 mil toneladas de açúcar bruto e de 80 mil toneladas de açúcar refinado.
O empreendimento foi anunciado no início de 2004, logo após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país árabe, que ocorreu em dezembro de 2003. Pelas previsões iniciais, a planta deveria ter entrado em produção há mais tempo, mas o cronograma sofreu atrasos.
O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar e também o principal fornecedor do mundo árabe. A commodity é de longe o produto brasileiro com maior participação na pauta de exportação para a Síria. Só para se ter uma idéia, dos US$ 195,7 milhões obtidos no ano passado com as vendas ao país, o açúcar respondeu por US$ 111,7 milhões, de acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O volume embarcado aumentou de 349,4 mil toneladas em 2006 para 368,5 mil toneladas em 2007, o que representa mais da metade do que o mercado sírio consome. Segundo o site da Aljazeera, o consumo na Síria é de 700 mil toneladas anuais e o país é considerado o centro da indústria de doces da região.
Se o volume subiu, as receitas caíram por causa da desvalorização da commodity no mercado internacional. O preço da tonelada de açúcar foi de US$ 327 em 2006 para US$ 263 em 2007. No ano retrasado o Brasil havia exportado o equivalente a US$ 130 milhões em açúcar para a Síria.
Perfil
Localizada no Oriente Médio na região do Levante, a Síria tem uma população de quase 20 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 41 bilhões, segundo a Economist Intelligence Unity, serviço de informações econômicas da revista britânica The Economist.
De acordo com relatório do departamento de Inteligência de Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, a indústria responde por 22% do PIB local, sendo que os segmentos mais importantes são os de alimentos e têxteis. O pilar da economia, no entanto, é o ramo petrolífero, que responde por 70% das exportações do país.
*Tradução de Saleh Haidar com informações da redação da ANBA.

