São Paulo – O portal do Memorial Digital do Refugiado (MemoRef) foi lançado na noite dessa quinta-feira (10) no Teatro Adamastor, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O acervo disponível na internet conta com relatos escritos, audiovisuais, sonoras, fotografias, além de entrevistas feitas com refugiados.
O site é resultado de projeto desenvolvido por sete estudantes de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no campus de Guarulhos, que deram aulas de português aos imigrantes e promoveram atividades culturais. Os estudantes se revezaram e lecionaram semanalmente para 20 refugiados, entre sírios, camaroneses e nigerianos, desde o final de agosto deste ano. O material disponibilizado no portal é baseado nas experiências vivenciadas por esses alunos.
“Hoje nós lançamos o memorial, com a intenção de transformá-lo em um acervo para pesquisa estudantil e acadêmica”, disse Ana Flávia Ercolini Ferreira, uma das organizadoras do MemoRef. “Nesse memorial, você encontra as nossas fotos, as atividades [realizadas] e o áudio dos alunos contando um pouco da história deles, suas expectativas e as produções escritas. O acervo está sendo lançado com alguns documentos que temos e, ao longo do curso, nos próximos anos, vamos alimentar com novos dados”, disse Ferreira.
“A barreira linguística é a primeira que eles enfrentam. Sem a língua, não conseguem ir ao mercado, comprar comida, não conseguem pedir ajudar, não conseguem trabalhar. Sem trabalhar, não conseguem dinheiro, nem trazer a família”, afirmou Marina Reinoldes, também organizadora do MemoRef. O curso de português criado pelos estudantes agradou à comunidade em situação de refúgio que mora em Guarulhos.
Assistente social da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Adelaide Pereira destacou a particularidade do projeto, criado e desenvolvido por estudantes. “É extremamente importante o projeto do curso de português e, especialmente, o MemoRef, que foi um trabalho criado pela juventude já sensibilizada pela questão do refugiado e que abraçou esse projeto na universidade, que trouxe para dentro da universidade a realidade do refúgio e que pode distribuir e divulgar essa realidade para tantos jovens”, completou.


