São Paulo – O rei da Jordânia Abdullah II Ibn Al Hussein deverá vir ao Brasil no final de outubro. A informação é do novo embaixador do Brasil na Jordânia, Fernando José Marroni de Abreu, que esteve terça-feira (24) à noite na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. “Minha primeira missão é aproveitar essa oportunidade ímpar da visita do rei da Jordânia ao Brasil. Será a primeira vez que um chefe de estado do país árabe vem para cá. Agora, vou me concentrar nessa visita”, afirmou o embaixador que vai assumir oficialmente o cargo em setembro.
Para definir a agenda do rei no Brasil, o chanceler jordaniano Salah Bashir vem ao país em julho. “A importância maior dessa visita do rei é política. Será um incremente às relações bilaterais”, disse Abreu. Segundo ele, um dos principais temas que será discutido é a questão Israel-Palestina, na qual a Jordânia sempre teve um papel importante. O embaixador lembrou ainda que o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, esteve em fevereiro em Amã, capital da Jordânia, onde também tratou desse assunto.
De acordo com o embaixador, a visita do rei também vai servir para tratar de assuntos comerciais. Abreu lembrou que o Mercosul está negociando um acordo com a Jordânia e que este seria um momento ideal para finalizar o acordo. “A visita do rei também é uma oportunidade para apresentar o potencial do Brasil”, acrescentou.
As exportações brasileiras para a Jordânia, de janeiro a maio, somaram US$ 111,91 milhões, o que representou um aumento de 7,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos embarcados para o país árabe foram aviões, carne de frango e bovina, chapas e tiras de alumínio, açúcar, café, leite e chassis com motor.
Da Jordânia, os principais produtos exportados para o Brasil foram resíduos de alumínio, nitrato de potássio, cuecas e ceroulas, suéteres, bijuterias e outras vestimentas. As importações brasileiras do país árabe somaram US$ 536,3 mil nos primeiros cinco meses do ano, ante US$ 2,49 milhões no mesmo período do ano passado. “A balança comercial sempre foi deficitária para a Jordânia, mas podemos trabalhar para que o Brasil comece a comprar fosfato e potássio da Jordânia, por exemplo”, disse o embaixador. Hoje, o país importa a maior parte do fosfato que consome e boa fatia dessa importação brasileira vem do Marrocos.
Mais oportunidades
O novo embaixador, que chegou segunda-feira em São Paulo, visitou diversas associações e instituições na cidade. Entre elas a Copersucar e a Unica, do setor sucroalcooleiro. Segundo Abreu, o Brasil pode trabalhar para começar a exportar álcool para a Jordânia, pois o país árabe não é produtor de petróleo e pode ter interesse na alternativa brasileira. Atualmente, a Jordânia está trabalhando com duas alternativas para gerar energia no país, o urânio e o xisto. A Petrobras, inclusive, está realizando estudos de viabilidade para executar projetos com o mineral. “Mesmo assim, não podemos descartar a possibilidade de exportar etanol para a Jordânia”, disse o embaixador.
Ele disse ainda que os jordanianos também têm interesse em educação. “Vamos verificar qual é o interesse deles nesta área e formar uma parceria ou estabelecer um acordo de cooperação”, afirmou Abreu. Outras duas áreas mencionadas pelo embaixador foram agrícola e turismo. Os dois países têm regiões semi-áridas e o Brasil poderia cooperar com a Jordânia com a tecnologia de agricultura irrigada.
Já no setor de turismo, Abreu também quer trabalhar para que os brasileiros visitem mais a Jordânia e vice-versa. “A Jordânia tem uma boa infra-estrutura e cidades lindas”, disse o embaixador. Segundo ele, a cidade jordaniana de Petra, um sítio arqueológico, teve um aumento de 20% no número de turistas após ser eleita uma das sete maravilhas do mundo no ano passado.
Antes de chegar em São Paulo, o embaixador também esteve no Rio de Janeiro, onde visitou a Petrobras, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Embraer. Essa será a primeira vez que Abreu vai assumir o cargo de embaixador. O último cargo ocupado por ele foi o de ministro conselheiro da embaixada brasileira em Madri, na Espanha.

