São Paulo – O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, propôs ao seu colega sudanês, Al-Zubair Taha, organizar uma missão brasileira de prospecção de mercado ao país africano. Os ministros se encontraram ontem (03), em Brasília, para a assinatura de um protocolo de entendimento na área de sanidade vegetal e outros assuntos fitossanitários.
A ideia da missão é levar empresários, investidores e técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para conhecer melhor as potencialidades do Sudão. Essa não é a primeira vez que o ministro fala sobre a promoção de uma missão ao país árabe. No ano passado, quando outras autoridades do governo sudanês estiveram no Brasil, como o ministro de Recursos Animais e Pesca, Ismail Khamis Jallab, Stephanes também demonstrou interesse em organizar uma missão do setor agrícola.
Durante o encontro, o ministro brasileiro falou que o Sudão merece uma missão brasileira pelo potencial geográfico do país, que tem cerca de 52 milhões de hectares de terras cultiváveis, sendo que apenas 25% das terras são utilizadas. O ministro sudanês convidou Stephanes para participar, no dia 29 deste mês, da inauguração da primeira usina de etanol do Sudão, que vai produzir 61 milhões de litros de álcool por ano.
Taha comentou que o acordo assinado ontem não era o primeiro, mas que marcava o início de uma relação muito importante com o Brasil. Segundo informações da assessoria do ministério brasileiro, o protocolo prevê maior cooperação e comunicação bilateral na área de segurança sanitária de produtos de origem vegetal. Ele ainda abrange medidas para evitar a propagação de pragas; treinamento na área de recursos humanos em segurança sanitária; promoção de grupos de trabalho; intercâmbio de técnicos e pesquisadores; e troca de informações.
Taha fez uma apresentação geral do Sudão ao ministro brasileiro, dizendo do potencial do país na produção de petróleo, cana-de-açúcar, além de outros produtos agrícolas.
O ministro do Sudão disse ainda que seu país tem condições de exportar fosfato ao Brasil, matéria-prima para fertilizantes. Além disso, a comitiva sudanesa tem interesse em conhecer mais sobre a tecnologia agrícola aplicada no Brasil e que possa ser adaptada ao desenvolvimento da savana sudanesa. O país está incentivando a produção local para o abastecimento do mercado interno.
Nesta quarta-feira, a comitiva vai visitar a Dedini, uma das principais indústrias de base brasileira com know-how em tecnologia para usinas de cana-de-açúcar e destilarias, em Piracicaba, interior de São Paulo. Foi a fábrica brasileira que forneceu os equipamentos e maquinários para a usina de etanol sudanesa. Sexta-feira, a delegação deverá visitar a sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.

