Alexandre Rocha, enviado especial
Rio de Janeiro – O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) – bloco formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã – considera estratégicas suas relações com o Mercosul. "Faz parte da nossa visão estratégica aumentar as relações com outros blocos importantes do mundo e o Mercosul é um deles", disse ontem (18) o subsecretário-geral para Assuntos Econômicos do GCC, Mohamed Obaid Al-Mazrooei.
Al-Mazrooei e os chanceleres do grupo sul-americano assinaram, durante a Cúpula do Mercosul no Rio, uma declaração sobre o andamento das negociações entre os dois blocos para um tratado de livre comércio. O documento diz que o acordo comercial "é uma das principais prioridades da agenda de negociação de cada região, tento em vista seu significado global, a dimensão econômica de ambos os blocos e as oportunidades concretas de negócios a serem abertas". O subsecretário cumprimentou os negociadores dos dois lados pelo trabalho feito até agora "e por ter completado mais de 90% do acordo".
De acordo com a declaração, estão quase finalizados "o texto do preâmbulo e das disposições gerais do acordo; capítulo sobre o comércio de bens, que estabelece os parâmetros para uma profunda liberalização comercial em um período de oito anos; capítulo sobre serviços, que prevê a liberalização de mercados de serviços além dos níveis já acordados por cada uma das partes na Organização Mundial do Comércio (OMC); capítulo sobre investimentos que estabelece um marco para o tratamento nacional e a liberalização de acesso a mercados nessa importante área; e disposições institucionais e finais".
Segundo o documento, os textos já negociados serão acrescentados de anexos sobre solução de controvérsias, salvaguardas e pelos cronogramas de compromissos sobre as áreas de serviços e investimentos. A declaração garante que o tratado será concluído antes de junho, para ser assinado na reunião de chanceleres do GCC, que vai ocorrer na Arábia Saudita.
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acrescentou que o acordo é "bastante ambicioso", justamente por tratar dos três setores (bens, serviços e investimentos). "Não se trata de um trabalho abstrato, mas de um trabalho em cima de uma relação comercial e econômica que tem crescido", afirmou Amorim. Somente com o Brasil, a corrente comercial com o Golfo (exportações mais importações) saiu de US$ 1,7 bilhão em 2000 para US$ 5 bilhões em 2006.
Amorim acrescentou que os países do GCC são compradores de produtos que os países do Mercosul produzem, como carnes, alimentos em geral e mercadorias de maior valor agregado. "Ao mesmo tempo eles têm um importante potencial para serem provedores de capitais e investimentos para nossa região", declarou.
Para o chanceler brasileiro, a negociação com os árabes mostra as mudanças que estão ocorrendo na geografia comercial do mundo. "Uma negociação como esta, que era uma realidade que parecia tão distante, agora está cada vez mais próxima", afirmou.
Missão
Al-Mazrooei disse ainda que o secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Al-Atiyyah, paralelamente ao acordo, pretende visitar a região do Mercosul acompanhado de uma delegação empresarial no futuro próximo.
Assinaram a declaração também os chanceleres da Argentina, Jorge Taiana, do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, e do Uruguai, Reinaldo Gargano.

