Alexandre Rocha
São Paulo – A Renault do Brasil exportou pela primeira vez este ano para um país árabe. Segundo informações da empresa, 10% dos cerca de 10 mil carros comercializados fora do país entre janeiro e setembro tiveram como destino a Argélia. As vendas, do modelo compacto Clio, foram também as primeiras da subsidiária brasileira da multinacional francesa para a África.
Esse volume poderá aumentar até o final do ano, mas a empresa não revela sua estratégia para o mercado da região, nem se os embarques vão prosseguir em 2005. Por enquanto, os principais destinos dos carros da Renault do Brasil no exterior são a Argentina e o Chile.
A Renault começou a fabricar carros no Brasil em dezembro de 1998, quando foi inaugurada sua fábrica em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, capital do Paraná. Nos primeiros nove meses de 2004, a companhia produziu 55,1 mil automóveis.
Atualmente a Renault tem três unidades industrias na cidade paranaense, onde são produzidos o Clio, o Clio Sedan, a minivan Scenic, o furgão Master, além de motores. Lá também são fabricados a picape Frontier e o jipe X-Terra, da japonesa Nissan. As duas empresas têm uma parceria mundial. No total, a Renault emprega 2.650 pessoas no Brasil e faturou quase R$ 2,2 bilhões no ano passado.
Outras montadoras
Apesar das vendas para a Argélia serem a primeira incursão da Renault do Brasil no mundo árabe, não é de hoje que montadoras brasileiras exportam para aquele mercado. A Volkswagen, por exemplo, têm larga experiência na região.
Na década de 1980, por exemplo, a companhia sediada em São Bernardo do Campo (SP) vendeu milhares de unidades do antigo Passat para o Iraque, muitas das quais continuam a rodar. Hoje a Volks do Brasil tem negócios regulares e eventuais com vários países da região, como os Emirados Árabes Unidos, Líbia, Líbano, Marrocos, Argélia e Egito.
A General Motors do Brasil também vende para alguns países árabes. O principal mercado, no entanto, é o Egito, para onde são exportados desmontados (CKD) o Corsa Sedan e o Astra Sedan, finalizados em uma fábrica que a companhia tem no país. No total, a GM estabeleceu como meta exportar o equivalente a US$ 1,5 bilhão até o final do ano de suas subsidiárias no Brasil e na Argentina.
A Mercedes-Benz do Brasil também já incluiu os países árabes na sua lista de destinos. No ano passado, a empresa vendeu ônibus e caminhões para o Egito, Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Omã e Emirados. Para este ano, a expectativa da companhia era embarcar mais dois mil veículos, no valor de US$ 120 milhões, para o Marrocos, Tunísia, Argélia, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Bahrein, Omã e Emirados.
A subsidiária brasileira da Ford ainda não exporta para os árabes, mas segundo informou sua assessoria de imprensa, a companhia negocia atualmente com países da região e poderá começar a vender no futuro. Entre janeiro e agosto deste ano, a Ford brasileira exportou 66.585 unidades e faturou US$ 656,7 milhões com isso. O valor, de acordo com a empresa, é 50% maior ao registrado no mesmo período de 2003.
Balanço
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que a indústria automobilística brasileira vai fechar o ano com 2,1 milhões de veículos produzidos, contra 1,8 milhão de unidades em 2003.
Entre janeiro e setembro foram fabricados 1,6 milhão de veículos no Brasil, ante 1,3 milhão no mesmo período do ano passado. O setor, segundo a Anfavea, faturou US$ 5,8 bilhões com exportações nos primeiros nove meses de 2004, o que representa um crescimento de 49% em relação ao mesmo período de 2003, quando os embarques renderam US$ 3,9 bilhões.
Até o final do ano, a Anfavea prevê que as exportações brasileiras de veículos vão render US$ 7,5 bilhões, ante os US$ 5,5 bilhões de 2003. Caso a previsão se confirme, o crescimento será de 36%.

